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O fim do deserto de camisas 9 na Seleção Brasileira

O técnico Carlo Ancelotti parece ter dado a sorte de assumir o cargo no momento exato de uma explosão de talentos na posição

Marcondes Brito

16/02/2026 5h16

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Reprodução

Nas últimas duas Copas do Mundo, o torcedor brasileiro viveu uma relação de profunda frustração com o centro do seu ataque. Em 2018 e 2022, a Seleção Brasileira padeceu de um mal raríssimo em nossa história: a escassez de um “matador” de ofício. Gabriel Jesus e Richarlison, embora dedicados taticamente, não entregaram o que se espera de um camisa 9 em momentos decisivos. Jesus passou a Copa da Rússia em branco; Richarlison, apesar do brilho inicial no Catar, sumiu quando o jogo apertou contra a Croácia. Ambos, originalmente pontas de lança, careciam daquele instinto assassino que outrora pertenceu a Careca, Romário e Ronaldo. A verdade é que eles funcionavam como operários, mas não como goleadores.

A boa notícia é que esse cenário de “seca” ficou para trás. O atual comandante da Seleção, o italiano Carlo Ancelotti, parece ter dado a sorte de assumir o cargo no momento exato de uma explosão de talentos na posição. Vivemos hoje uma abundância de opções que devolve ao Brasil o status de maior exportador de homens de área do planeta. Diferente de seus antecessores, Ancelotti não precisa improvisar ou insistir em nomes questionáveis.

O cenário para 2026 é de uma fartura impressionante. No topo da lista, Endrick já não é apenas uma promessa, mas uma estrela internacional no Lyon da França. Mas ele é apenas a ponta do iceberg. João Pedro tem mostrado uma maturidade impressionante na Premier League, enquanto Matheus Cunha – um dos jogadores que Ancelotti mais admira pela capacidade de construção – finalmente encontrou a regularidade de gols na Europa. Somam-se a eles Igor Thiago, que trouxe o peso físico que faltava ao setor, e nomes como Rayan, que ainda guarda um teto de evolução altíssimo.

Além da constelação de atacantes que atuam na Europa, há pelo menos dois nomes em solo brasileiro que merecem entrar nessa conversa sem nenhum complexo de vira-lata: Kaio Jorge, do Cruzeiro, artilheiro do último Campeonato Brasileiro; e Vitor Roque, que reencontrou bom futebol no Palmeiras, atravessa fase de confiança e, não por acaso, voltou a circular no radar da CBF como uma opção real para ampliar o leque de alternativas ofensivas da seleção.

O grande diferencial deste ciclo é que Ancelotti, instalado estrategicamente no radar do futebol mundial, observa esses jogadores semana a semana, “in loco” nos gramados europeus. Todos os principais candidatos à vaga de 9 hoje atuam nas ligas mais competitivas do mundo, sob o olhar atento e minucioso do técnico italiano. Pela primeira vez em mais de uma década, o debate não é sobre a falta de peças, mas sobre quem terá a honra de herdar a mística camisa 9. O Norte do ataque brasileiro, enfim, voltou a apontar para o gol.

screenshot
A coluna na edição impressa do Jornal de Brasília

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