Não vou disputar manchete com ninguém sobre o impeachment de Júlio César Casares no São Paulo. A notícia está em todos os jornais. O que me interessa é o pano de fundo – e ele me remete a uma trombada antiga, lá no início dos anos 2000.
Naquela época, eu era diretor dos Diários Associados da Paraíba, um grupo que reunia jornais, rádios e TVs, entre elas a TV Borborema, de Campina Grande, afiliada do SBT. Casares era o diretor de afiliadas da emissora, em São Paulo, cargo que exigia diálogo permanente com as redes espalhadas pelo país.
Sem aviso, sem negociação e sem qualquer lógica técnica, ele autorizou a TV Tambaú, de João Pessoa, então pertencente ao grupo Marquise, do Ceará, a avançar com o sinal do SBT para uma área que já era atendida pela Borborema. Resultado: o sertão da Paraíba passou a receber dois sinais da mesma rede, uma situação absurda, incongruente e insustentável.
Foi uma queda de braço dura. Questionamos, enfrentamos, e a decisão acabou revertida. Não por gentileza, mas porque era indefensável do ponto de vista técnico e institucional.
Trago esse episódio à memória não por vaidade ou ajuste de contas, mas porque ele revela um traço antigo: a inclinação de Casares para decisões impensadas, tomadas de forma vertical, sem medir consequências e sem ouvir quem estava na ponta.
O impeachment no São Paulo não nasce do acaso nem de um episódio isolado. Ele dialoga com um modo de agir que, para quem conviveu com ele em outros ambientes, não chega exatamente a ser uma surpresa.