Cruzeiro e Corinthians se enfrentaram pela 4ª rodada do Campeonato Brasileiro e o empate (1 x 1), com nível técnico sofrível, virou quase um detalhe. O que realmente chamou a atenção na noite do Mineirão aconteceu fora das quatro linhas, longe da bola, longe da rede e bem perto da simbologia que o futebol adora produzir sem pedir licença.
Na tribuna de honra, estava Carlo Ancelotti, o atual técnico da Seleção Brasileira. Imóvel, atento, quase protocolar, o italiano acompanhava o jogo ao lado de dirigentes da CBF, cumprindo o roteiro previsível: observar jogadores, tomar notas mentais, medir comportamentos, projetar convocações futuras.
No gramado, em outro plano da cena, dois personagens que conhecem bem aquele posto hoje ocupado por Ancelotti. Tite, no banco do Cruzeiro, e Dorival Júnior, no comando do Corinthians. Dois ex-técnicos da Seleção Brasileira, agora em lados opostos de um clássico nacional, vivendo a rotina dura e concreta dos clubes.

Professores cochichando…
Em determinado momento, veio o abraço, a conversa curta, a mão protegendo a boca pra evitar leitura labial (foto em destaque). Nada de escândalo, nada de teoria mirabolante. Apenas dois treinadores que já estiveram no topo da hierarquia do futebol brasileiro e hoje se reencontram no “chão de fábrica” do Brasileirão. A imagem, por si só, diz mais do que qualquer legenda criativa poderia inventar.
É impossível não notar o contraste: na arquibancada, o presente da Seleção, frio, distante, observador; à beira do campo, dois passados recentes da mesma Seleção, suados, cobrados, mergulhados na pressão diária por resultado. Três técnicos da Seleção Brasileira no mesmo ambiente, em três momentos diferentes da carreira, enquadrados pela câmera como se o futebol resolvesse, por alguns segundos, olhar para si mesmo no espelho.
Se Ancelotti foi ao Mineirão para observar jogadores, acabou também testemunhando, ainda que sem querer, um retrato curioso da própria função que ocupa. O cargo passa, a pressão muda de endereço, os nomes giram. A bola segue rolando, mas os personagens trocam de lugar. E, na noite desta quarta-feira, o jogo até teve seus lances, seus gols, suas disputas. Só não foi o protagonista.
E a “cereja do bolo” acabou sendo a expulsão de Dorival Júnior, aos 40 do segundo tempo.