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Neymar perde mais uma chance com Ancelotti e reacende debate sobre grama sintética

Mais de 40 mil pessoas no clássico Palmeiras 1 x 1 Santos,, jogo intenso, movimentado, clima de decisão. E Neymar fora. Não por lesão, não por suspensão. Por escolha.

Marcondes Brito

03/05/2026 6h00

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Tem clássico que se explica pela tabela. E tem clássico que se explica pelas ausências. O encontro Palmeiras 1×1 Santos, no Allianz Parque, foi um pouco dos dois – mas ficou marcado mesmo pelo que não aconteceu.

Mais de 40 mil pessoas, jogo intenso, movimentado, clima de decisão. E Neymar fora. Não por lesão, não por suspensão. Por escolha.

E é aí que o caso deixa de ser apenas uma questão pontual e passa a ter implicações maiores. Neymar desperdiça mais uma oportunidade clara de mostrar a Carlo Ancelotti que está, de fato, em processo consistente de recuperação. Faltam poucos dias para a convocação (dia 28/5) e cada minuto em campo pesa. Ou deveria pesar.

Ao se recusar a jogar no gramado sintético, ele tira do técnico justamente aquilo que mais importa neste momento: a observação direta. Ritmo, mobilidade, confiança, intensidade – nada disso se mede em treino fechado ou relatório médico. Se mede em jogo. E Neymar simplesmente não esteve lá.

É legítimo que um jogador se preserve? Sim. Mas também é inevitável que isso gere questionamento quando a decisão interfere diretamente na avaliação técnica em um momento decisivo. Ainda mais quando todos os outros jogadores entram em campo nas mesmas condições.

O episódio ganha um contorno ainda mais relevante quando se olha para a Copa do Mundo de 2026. A Fifa não permitirá gramados 100% sintéticos, mas adotará, em vários estádios, o modelo híbrido – grama natural reforçada com fibras sintéticas. Ou seja, não é exatamente o tipo de campo que Neymar vem evitando.

E aí surge um cenário desconfortável: se o argumento é risco físico, como ele reagirá diante de um gramado híbrido em uma Copa? Vai jogar normalmente? Vai impor restrições? Vai selecionar partidas?  Não é apenas uma dúvida teórica. É uma questão prática, que pode impactar diretamente o planejamento de uma seleção.

No futebol de alto nível, adaptação não é diferencial – é obrigação. E, neste momento, Neymar parece caminhar na direção oposta. O clássico passou. O Palmeiras segue firme na liderança. O Santos segue pressionado.

E Neymar segue sendo assunto – mas, mais uma vez, fora de casa campo.

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