O Santos de 2026, que ontem perdeu do Athletico, acaba de patentear uma inovação tática que nem o mais moderno treinador europeu ousaria: o Ataque em Regime de Teletrabalho. Em plena rodada de clássicos, enquanto o couro comia nos gramados do país, as duas maiores estrelas da Vila Belmiro decidiram que o expediente na Ligga Arena, em Curitiba, seria cumprido remotamente.
Neymar e Gabigol, donos de salários que fariam qualquer CEO de multinacional suspirar, não viajaram para o Paraná. O motivo oficial? O gramado sintético. É um escândalo de logística e de respeito ao torcedor: atletas que custam milhões, mas que “escolhem” o piso onde vão pisar. Se não for grama natural e tapete de veludo, o craque fica em casa, no conforto do Wi-Fi.
Neymar, inclusive, exerceu sua função de “analista de redes sociais” com maestria. No meio do jogo, postou que é “impossível jogar” naquele campo. Para quem ganha o que ele ganha, a mensagem soa como deboche para o santista que vê o time, mais uma vez, enfiar-se perigosamente na zona de rebaixamento. No Instagram, o camisa 10 é titular absoluto; no campo, é peça de decoração que só funciona sob condições climáticas e geográficas ideais.
Três Gabriéis
A escalação do Santos ontem parecia uma ironia pronta. Tivemos o goleiro Gabriel Brazão, o meia Gabriel Bontempo e o volante Gabriel Menino. Três em campo, mas nenhum deles era o Gabriel que decide. O Peixe tem nome, tem história e tem uma folha salarial astronômica, mas se o ataque continuar trabalhando via Zoom, o final dessa história o torcedor já conhece — e não terá filtro de rede social que dê jeito.