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Futebol ETC
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Luxemburgo estreia na política e expõe contraste com o futebol

O movimento acontece no momento em que o futebol brasileiro volta a discutir, ainda que de forma indireta, o etarismo

Marcondes Brito

20/03/2026 8h51

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Vanderlei Luxemburgo vai iniciar uma nova carreira aos 73 anos. O técnico mais vencedor da história do Campeonato Brasileiro anunciou sua candidatura ao Senado pelo Avante, no Tocantins, dando um passo que, no futebol, hoje pareceria improvável. Fora das quatro linhas, porém, a idade deixa de ser obstáculo e passa a ser ativo.

O movimento acontece no momento em que o futebol brasileiro volta a discutir, ainda que de forma indireta, o etarismo. Na semana passada, Tite foi demitido do Cruzeiro aos 64 anos, mesmo após conquistar o título mineiro. O desempenho irregular pesou, mas a idade apareceu como argumento recorrente, ainda que nem sempre dito de forma explícita.

No ambiente do futebol, treinadores mais experientes passaram a carregar um rótulo automático. Não se discute apenas o trabalho, discute-se a suposta incapacidade de acompanhar um jogo que se vende como cada vez mais físico, mais intenso e mais “moderno”. A experiência, que deveria ser diferencial, vira motivo de desconfiança.

A política segue uma lógica oposta. Lideranças em idade avançada ocupam posições centrais de poder e seguem competitivas. Lula, aos 80 anos, e Donald Trump, na mesma faixa etária, são exemplos de um cenário em que trajetória, vivência e capacidade de decisão têm mais peso do que qualquer cobrança por renovação geracional imediata.

Ao trocar o futebol pela política, Luxemburgo atravessa justamente essa fronteira. Sai de um ambiente que passou a tratar a idade como limite e entra em outro que ainda a reconhece como credencial. Não se trata de comparar funções tão distintas, mas de observar como o tempo é interpretado de maneiras tão diferentes.

No futebol brasileiro, a discussão ainda parece simplificada demais. Resultados ruins são rapidamente associados à idade, como se o calendário, a gestão dos clubes e a qualidade dos elencos não tivessem papel determinante. No fim, o risco é transformar a experiência em problema — quando ela, em muitos casos, ainda pode ser solução.

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