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Jornalista provoca: “Ninguém torce pelo Gama”; o Bezerrão responde

Confira as reações nas redes sociais e o vídeo com o Bezerrão lotado, tomado por camisetas verdes

Marcondes Brito

24/01/2026 5h35

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Reprodução

Do nada, o jornalista, blogueiro e youtuber Rica Perrone resolveu fazer uma provocação direta à torcida do Gama. Em um comentário ácido, no tom típico das redes sociais, afirmou que “ninguém torce pelo Gama” e que nem o presidente do clube seria torcedor exclusivo, dividindo o coração entre o time do Distrito Federal e clubes como Flamengo ou Vasco.

A frase caiu como faísca em palha seca. A reação foi imediata. E veio de uma forma particular: o próprio Gama decidiu expor o comentário em suas redes sociais, questionando se aquilo era mesmo verdade ou apenas mais uma generalização feita à distância, sem conhecimento da realidade local. Ao publicar o post (clique aqui e veja o vídeo) o clube abriu espaço para algo muito mais revelador do que a provocação original.

Os comentários viraram um retrato fiel da complexidade do tema. Houve quem concordasse com Rica Perrone, afirmando que ele apenas descreveu uma realidade histórica do Distrito Federal, onde muitos torcedores conciliam o clube local com times do Rio de Janeiro. Alguns chegaram a dizer que boa parte da lotação do estádio é formada por torcedores de clubes cariocas, com o Gama funcionando como identidade secundária.

Por outro lado, surgiram reações duras à generalização. Muitos apontaram desconhecimento, leitura superficial e um olhar preso a um Brasil que já mudou. Para esses torcedores, o comentário ignora a construção de identidade local, o vínculo territorial e o orgulho de quem escolheu o Gama como clube principal — e, em muitos casos, único.

Curiosamente, mesmo entre opiniões divergentes apareceu um ponto de consenso: o Gama é diferente. Vários comentários reconheceram que quem é do Gama costuma ser, de fato, torcedor do Gama. Um vínculo mais orgânico, mais comunitário, que não se repete da mesma forma em outros clubes do Distrito Federal. Essa característica, longe de enfraquecer o clube, reforça sua identidade.

No meio do debate, como era previsível, surgiram ironias, deboches e provocações gratuitas, com gente perguntando se o clube ainda existia ou tratando a discussão como motivo de riso. Nada fora do padrão das redes sociais. Mas quanto mais tentavam minimizar o Gama, mais evidente ficava o incômodo que ele provoca. E clube que incomoda, invariavelmente, tem torcida.

A imagem publicada pelo próprio Gama — o estádio Bezerrão lotado, tomado por camisas verdes — funcionou como resposta silenciosa, direta e impossível de ignorar. Não resolve o debate, mas desmonta a tese absoluta do “ninguém torce”. Pode haver torcidas divididas, heranças de um passado em que o futebol do eixo dominava a televisão nacional. O que não cabe mais é tratar clubes locais como figurantes.

No fim, a provocação de Rica Perrone acabou dizendo menos sobre a torcida do Gama e mais sobre a insistência em analisar o futebol brasileiro com lentes antigas. A reação coletiva mostrou exatamente o oposto do que se tentou cravar: o Gama existe, mobiliza, provoca debate e segue vivo. E quando o Bezerrão responde, dificilmente é em silêncio.

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