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Futebol ETC
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Flamengo se olha no espelho e começa a admitir o que negou por semanas

Parte da imprensa mais identificada com o clube se negava a admitir que houvesse algo estruturalmente errado, preferindo explicar o mau momento como uma oscilação normal de início de temporada

Marcondes Brito

24/02/2026 5h36

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Reprodução

A vitória sobre o Madureira no domingo não apagou os sinais de alerta no Flamengo. As vaias no Maracanã deixaram claro que, mesmo quando o resultado vem, o desempenho já não convence ninguém. O incômodo foi grande o suficiente para provocar uma reunião entre o presidente Bap e o departamento de futebol, numa tentativa de identificar as causas do momento técnico ruim. Internamente, o clube passou a admitir fatores como queda física, férias longas, relaxamento excessivo de alguns jogadores e impacto mental no rendimento do elenco.

O curioso é que, num primeiro momento, a simples hipótese de crise era tratada quase como heresia no ambiente rubro-negro. Torcida, cartolas e parte da imprensa mais identificada com o Flamengo se negavam a admitir que houvesse algo estruturalmente errado, preferindo explicar o mau momento como uma oscilação normal de início de temporada, azar pontual ou ruído de calendário. A palavra crise parecia proibida, ainda que os sinais estivessem todos ali, visíveis para quem quisesse enxergar.

Há cerca de 20 dias, na coluna Futebol Etc, a leitura já apontava nessa direção. O centro da análise era o desgaste acumulado do elenco após uma temporada pesada, a volta apressada dos titulares depois do experimento com os garotos no Carioca e a dificuldade evidente de manter intensidade e concentração. Não se tratava apenas de questão tática ou de comando técnico, mas de um time sem fôlego, com o corpo pedindo conta e a cabeça longe do ideal competitivo.

O que o Flamengo começa a admitir agora, nos bastidores, é basicamente o que o campo já vinha mostrando há semanas. Planejamento mal calibrado, descanso mal gerido e expectativas infladas criaram um cenário em que o elenco entrou em 2026 com rótulo de favorito, mas com rendimento de quem ainda não se recuperou do ano anterior. O clube, enfim, resolveu se olhar no espelho. O diagnóstico veio. Resta saber se a correção de rota virá a tempo de evitar que a temporada se perca antes mesmo de engrenar.

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