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Futebol ETC
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Fernando Diniz chega ao Corinthians e a gente levanta toda a capivara

Marcondes Brito

08/04/2026 5h07

fernando diniz

Antes de mais nada, vale explicar: “levantar a capivara” é expressão típica da polícia para investigar o passado de alguém, puxar a ficha completa. A imagem combina com o futebol – como aquela bola escondida no mato que o gandula precisa achar -, só que aqui a gente vai tirar da toca a trajetória de Fernando Diniz. E que trajetória.

Fernando Diniz acaba de assumir o Corinthians, talvez o maior desafio da sua carreira. Não só pelo tamanho do clube, mas pelo pacote completo: torcida gigante, impaciente, acostumada a cobrança diária e pouco disposta a comprar ideias a longo prazo. E Diniz, convenhamos, é mais ideia do que resultado constante.

O Campeonato Brasileiro mal começou e já parece um festival de cadeiras giratórias. Em dez rodadas e metade dos técnicos da Série A já foi para o espaço. Nesse cenário de urgência, apostar em Diniz é quase um ato de fé – ou de desespero com método.

Porque Diniz é isso: um técnico que divide opiniões como poucos. Capaz de encantar com um futebol autoral, ousado, quase teimoso, e ao mesmo tempo de irritar pela insistência no risco mesmo quando o jogo pede o simples.

No currículo, há um feito que ninguém pode apagar: a conquista da Libertadores com o Fluminense. Ali, o tal “dinizismo” atingiu seu auge, com um time que jogava bonito e ganhava. Foi o ponto mais alto de uma carreira construída muito mais na ideia do que na prateleira de títulos.

Mas se o Fluminense é o cartão de visitas, a Seleção Brasileira virou o ponto de interrogação. A passagem de Diniz pela Seleção foi curta, intensa e estatisticamente desastrosa. Em seis jogos pelas Eliminatórias, venceu dois, empatou um e perdeu três, com aproveitamento de 38,8%. Até aí, números ruins. Mas o problema maior foram os marcos históricos – e negativos.

Sob seu comando, o Brasil perdeu pela primeira vez em casa em Eliminatórias, justamente para a Argentina, no Maracanã. Também acumulou três derrotas consecutivas, algo inédito na competição. E ainda caiu diante da Colômbia, quebrando outro tabu que durava décadas. Ou seja, Diniz entrou para a história – mas não do jeito que se esperava.

Agora ele chega ao Corinthians carregando esse contraste: o técnico que conquistou a América e, ao mesmo tempo, protagonizou um dos períodos mais frágeis da seleção em anos.

E aí vem a capivara completa. Fernando Diniz começou no Votoraty, passou por Paulista de Jundiaí, Botafogo-SP, Atlético Sorocaba e virou figura nacional no Audax, onde encantou o país e foi vice-campeão paulista em 2016, eliminando gigantes. Rodou ainda por Guaratinguetá, Paraná e Oeste.

Chegou à elite pelo Athletico Paranaense, teve passagens por Fluminense, São Paulo, Santos e Vasco – este duas vezes. No Fluminense, viveu o auge com títulos e reconhecimento. Na Seleção, o ponto mais baixo. Ainda passou pelo Cruzeiro antes de retornar ao Vasco e, agora, desembarcar no Corinthians.

Uma carreira longa, movimentada e, acima de tudo, inquieta. Diniz não é um técnico comum. E o Corinthians também não é um clube comum. E quando dois extremos se   encontram, o resultado pode ser histórico – ou explosivo.

A fiel torcida já está de olho. E a gente, claro, segue levantando a capivara.

A TRAJETÓRIA COMPLETA

* Votoraty (2009-2010): Onde tudo começou, com dois títulos logo de cara.

* Paulista de Jundiaí (2010-2011): Mais um título da Copa Paulista.

* Botafogo-SP (2011): Passagem curta.

* Atlético Sorocaba (2011-2012)

* Audax (2013-2017): O clube onde ele se tornou fenômeno nacional. Teve várias idas e vindas, com destaque para o vice-campeonato paulista de 2016, eliminando Corinthians e São Paulo.

* Guaratinguetá (2014), Paraná (2015) e Oeste (2016): Períodos de intercâmbio/parceria com o Audax.

Elite Nacional e Seleção (2018 – 2026)

* Athletico Paranaense (2018): Sua primeira chance em um grande da Série A.

* Fluminense (1ª passagem – 2019): Começou a montar a base do que viria a ser o “Dinizismo” moderno.

* São Paulo (2019-2021): Liderou o Brasileirão de 2020 por muito tempo, mas perdeu o fôlego na reta final.

* Santos (2021): Passagem rápida e conturbada.

* Vasco (1ª passagem – 2021): Tentativa de acesso na Série B (sem sucesso).

* Fluminense (2ª passagem – 2022-2024): O auge. Conquistou a América e o Rio de Janeiro.

* Seleção Brasileira (2023-2024): Atuou como técnico interino/temporário em paralelo com o Fluminense.

* Cruzeiro (2024): Assumiu na reta final do ano.

* Vasco (2ª passagem – 2025-2026): Retornou ao clube, onde foi vice-campeão da Copa do Brasil 2025.

* Corinthians (2026 – Atual): Acabou de ser anunciado para substituir Dorival Júnior.

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