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Futebol ETC
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Eu minto. Tu mentes. Eles mentem

Na polêmica convocação de Neymar para a Copa, cada personagem apresentou sua versão. Cada um tinha seus interesses. Cada um tinha algo a ganhar

Marcondes Brito

29/05/2026 5h28

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Reprodução

Poucas vezes a conjugação do verbo mentir pareceu tão adequada para explicar uma convocação da seleção brasileira quanto agora.

Carlo Ancelotti passou meses repetindo que só chamaria Neymar quando ele estivesse plenamente recuperado. Era um discurso coerente. Afinal, ninguém imaginava que o treinador estrearia no comando da seleção carregando um jogador sem condições físicas ideais. Mas bastou a lista definitiva ser divulgada para a tese desmoronar. Neymar foi convocado e, dias depois, descobriu-se que sua situação clínica está longe dos 100% prometidos.

Mentiu Ancelotti? Talvez não diretamente. Mas alguém certamente omitiu informações importantes.

A segunda contradição veio do Santos. Na véspera da convocação, o presidente Marcelo Teixeira garantiu que Neymar estava apto, que os exames eram animadores e que o jogador estava pronto para atuar pelo clube ou pela seleção.

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A terceira versão envolve um tema ainda mais delicado: os interesses comerciais que cercam Neymar. A CBF sempre negou qualquer influência de patrocinadores em decisões técnicas. Oficialmente, a convocação é uma escolha exclusiva da comissão técnica. Mas é impossível ignorar que Neymar continua sendo o maior ativo de marketing do futebol brasileiro. Sua presença gera engajamento, exposição internacional e milhões em retorno para quem investe na seleção. Coincidência ou não, mesmo lesionado ele continua indispensável.

No dia de ontem cresceram os rumores de que a NR Sports, empresa do pai de Neymar, também teria exercido pressão para o Santos esconder a verdadeira condição clínica de Neymar, antes do anúncio da lista de convocados para a Copa.

Se isso é verdade ou não, talvez nunca se saiba. Mas o fato concreto é que a realidade apresentada hoje não combina com o otimismo vendido há poucos dias.

Ninguém sabe exatamente quem mentiu mais. O técnico que prometeu convocar apenas jogadores prontos. O dirigente que garantiu que Neymar estava recuperado. Os cartolas que juram não sofrer pressão comercial.

Mas uma coisa já está clara: a convocação de Neymar virou um monumento às conveniências.

Cada personagem apresentou sua versão. Cada um tinha seus interesses. Cada um tinha algo a ganhar.

E no meio de tantas narrativas conflitantes, a única verdade que sobrou foi a mais simples de todas: Neymar chegou à seleção sem condições de justificar, dentro de campo, toda a mobilização feita para levá-lo até lá.

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