A demissão de Enzo Maresca, técnico do Chelsea, anunciada no primeiro dia do ano, tem várias explicações formais, mas há um fator que se impõe como o verdadeiro ponto de ruptura: Estevão. O brasileiro encantou a Inglaterra em pouquíssimo tempo, virou clamor da torcida e passou a simbolizar o desgaste entre treinador, arquibancada e ambiente interno do clube.
Sempre que entrou em campo, Estevão mudou o jogo. Driblou, acelerou, criou chances e entregou impacto imediato. Ainda assim, seguiu como opção secundária. O treinador preferiu a cautela, falou em amadurecimento e evitou dar sequência ao garoto, apesar dos pedidos insistentes vindos das arquibancadas.
Essa escolha virou um problema. Para parte da imprensa britânica, segurar um jogador que claramente respondia em campo passou a ser visto como teimosia e desconexão com o momento do time. A pressão cresceu, o ambiente pesou e a margem de erro acabou.
Na sequência, vieram os elementos conhecidos do futebol. Atritos com a diretoria, resultados abaixo do esperado e vaias. Nem mesmo o título recente do Mundial de Clubes foi suficiente para proteger um treinador que, poucos meses antes, parecia sólido e prestigiado.
O futebol é simples e implacável. Você pode ganhar títulos e ser elogiado. Quando começa a perder e toma decisões impopulares, a conta chega rápido. No Chelsea, tudo se somou. E, no centro da história, ficou o nome do brasileiro que a torcida queria ver em campo.
Estevão não foi o único motivo da queda. Mas pode, sim, ter sido o estopim.