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“Estelionato esportivo”: presidente do Cuiabá acusa Corinthians, Santos e Vasco de usar dívidas para ganhar vantagem na Série A 

O clube que honra seus compromissos disputa pontos com outro que gastou além da conta e deixou a cobrança para depois

Marcondes Brito

24/09/2026 5h31

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Cristiano Dresch, presidente do Cuiabá, pôs o dedo numa ferida do futebol brasileiro: clubes que deixam de pagar o que devem a outros clubes continuam reforçando seus elencos. O Santos foi condenado pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas da CBF a pagar R$ 18,6 milhões ao Cuiabá pela negociação do zagueiro Joaquim. Ainda pode recorrer. Enquanto a cobrança se arrastava, contratou Arthur e Everton Cebolinha para a reta final da temporada. 

Dresch também cobra do Corinthians valores pela venda de Raniele. Segundo nota do Cuiabá, a dívida entrou num plano de pagamento até 2031, mas uma parcela vencida em julho continua em aberto. É difícil pedir a um clube credor que aceite esperar anos enquanto o devedor segue disputando o mercado de jogadores. E o caso fica ainda mais perverso quando quem tem dinheiro a receber enfrenta, ele próprio, um transfer ban: foi o que aconteceu com o Cuiabá por uma dívida com o técnico Petit. 

É isso que chamo de estelionato esportivo: transformar dívida não paga em vantagem dentro de campo. O reforço contratado hoje pode decidir uma partida amanhã. O clube que honra seus compromissos disputa pontos com outro que gastou além da conta e deixou a cobrança para depois. Para Remo, Mirassol e tantos outros, essa desigualdade aparece na tabela, onde não existe nota de rodapé explicando quem pagou a conta.

transfer ban tem utilidade, mas se mostra insuficiente quando o pagamento só vem depois da punição ou quando o processo demora tanto que o reforço já entrou em campo. A CBF criou um sistema de sustentabilidade financeira com implantação gradual e prevê, entre as sanções possíveis, dedução de pontos. Precisa fazê-lo funcionar, com critérios claros, direito de defesa e consequências em tempo de afetar a competição. Três pontos perdidos pesariam muito mais para um clube ameaçado de rebaixamento do que mais uma cobrança empurrada para o futuro. 

A Série A não pode premiar quem monta um time com dinheiro que deveria estar no caixa do adversário. Enquanto dever compensar mais do que pagar, o resultado do campeonato continuará sendo decidido também fora das quatro linhas.

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