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Entre a memória perdida e um futuro incerto, aos 50 anos a ABCD tenta se reconhecer

A Associação Brasiliense de Cronistas Desportivos atualmente é presidida pelo jornalista Rener Lopes (foto)

Marcondes Brito

03/05/2026 10h32

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Foto: Kebec Nogueira

A coluna Futebol Etc procurou, na semana passada, o atual presidente da Associação Brasiliense de Cronistas Desportivos (ABCD), jornalista Rener Lopes, com uma intenção simples: reconstituir a história de uma das iniciativas mais marcantes do jornalismo esportivo da capital, o Troféu ABCD. Criado na década de 80, o prêmio era mais do que uma celebração, era um símbolo de reconhecimento a jornalistas, radialistas e fotógrafos, reunindo a categoria em eventos memoráveis e prestigiados, com forte presença institucional.

A surpresa veio logo nos primeiros minutos de conversa. O atual presidente da entidade não tinha conhecimento sobre o troféu – sequer sabia de sua existência no passado. Não se tratava de um detalhe esquecido, mas de algo mais profundo: a ausência completa de memória institucional. Diante de reportagens da época, Rener demonstrou espanto e admitiu que não há registros organizados, acervo ou qualquer documentação que permita contar a trajetória da própria associação.

O problema, no entanto, vai além de um prêmio que desapareceu no tempo. A ABCD, que já foi dirigida por nomes como Jorge Martins, Jesus Affonso e Jaércio Barbosa – figuras com passagens marcantes na mídia esportiva do DF  – perdeu ao longo dos anos não apenas sua história, mas também sua capacidade de se afirmar como entidade representativa. Mudanças constantes de sede e até despejos sucessivos, além da ausência de preservação documental, contribuíram para um cenário em que o passado simplesmente deixou de existir nos arquivos… e na prática.

Hoje, a associação vive uma espécie de vazio institucional. Não se sabe quantos associados possui, como se mantém financeiramente ou qual é, de fato, sua função no ecossistema esportivo local. Questionamentos enviados pela coluna ao presidente Rener, justamente para esclarecer esses pontos, não foram respondidos. O silêncio, nesse caso, acaba sendo tão revelador quanto a falta de documentos.

Rener Lopes afirma que pretende disputar a reeleição em agosto, quando a entidade completa 50 anos. Caso permaneça no cargo, diz que pretende criar um novo troféu ABCD, ainda que em formato mais simples e simbólico, voltado principalmente para profissionais da fotografia e da redação. A iniciativa indica uma tentativa de reconstrução, ainda que tímida, de algo que já foi grande.

Mas a questão central permanece: qual é o papel de uma associação que não consegue contar a própria história e ainda não apresenta sinais claros de futuro? Entre a memória perdida e um projeto ainda embrionário de retomada, a ABCD parece hoje mais próxima de uma ideia do que de uma instituição efetivamente atuante. E talvez seja exatamente esse o ponto que mais chama atenção – não pelo tom de crítica, mas pela constatação de um esvaziamento que passou despercebido por tempo demais.

Atualização

Após a repercussão, às 10h49min, o presidente da ABCD, Rener Lopes, apresentou a versão atual da entidade e detalhou como ela tem se mantido em funcionamento. Segundo ele, a associação é financiada principalmente pelas anuidades pagas pelos próprios associados, o que permite manter uma sede alugada no Setor Comercial Sul e custear atividades operacionais. Entre elas, está a supervisão de jogos no Distrito Federal, realizada por meio de contrato com a Federação de Futebol local, além da manutenção básica da estrutura administrativa.

Rener também destacou iniciativas recentes que, segundo ele, reposicionam a atuação da entidade, como a oferta de sinal de internet para cronistas esportivos em estádios como Bezerrão, Abadião, JK e Mané Garrincha, além do ginásio Nilson Nelson. Ele afirma que a ABCD, que completou 50 anos em 2025, segue como principal representante da crônica esportiva no DF e mantém relação próxima com veículos de comunicação e entidades do esporte. A fala contrasta com a percepção anterior de esvaziamento institucional e aponta para uma tentativa de resgatar relevância a partir de serviços práticos à categoria.

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