Uma ação judicial protocolada na Justiça de São Paulo reacende a crise envolvendo o contrato de patrocínio entre o Sport Club Corinthians Paulista e a casa de apostas Vai de Bet, avaliado em R$ 360 milhões. O empresário Antônio Pereira dos Santos, conhecido no meio artístico e empresarial como Toninho Duettos, entrou com uma ação de cobrança contra o clube alegando não ter recebido a comissão pela intermediação do acordo, apesar de ter atuado diretamente na negociação que resultou no maior patrocínio da história do clube .
Segundo a ação, Toninho Duettos afirma ter sido um dos principais responsáveis por aproximar a Vai de Bet da diretoria corintiana no fim de 2023, participando de reuniões estratégicas, articulações comerciais e encontros decisivos que culminaram na assinatura do contrato. A comissão acordada verbalmente teria sido de 7% sobre o valor total do patrocínio, o equivalente a R$ 25,2 milhões. Desse montante, Toninho reivindica o pagamento de um terço, correspondente a R$ 8,4 milhões.
O processo detalha uma série de reuniões realizadas em São Paulo e na região de Alphaville, envolvendo dirigentes do clube, representantes da patrocinadora e intermediadores. A reunião final, realizada em um hotel da capital paulista em dezembro de 2023, teria selado o acordo com a definição expressa do percentual da comissão. Apesar disso, o empresário afirma que, após a assinatura do contrato, os intermediadores legítimos foram excluídos do fluxo financeiro.
A ação sustenta que o pagamento da comissão foi direcionado a empresas que não participaram da negociação, utilizadas apenas como intermediárias formais. De acordo com o inquérito policial citado no processo, uma dessas empresas teria sido usada para simular a prestação de serviços e ocultar a real destinação dos valores, com indícios de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. A investigação não atribui qualquer ilegalidade a Toninho Duettos, ao contrário, reconhece sua atuação efetiva na construção do negócio .
O caso ganhou ainda mais relevância após o afastamento do então presidente do Corinthians, Augusto Melo, em julho de 2024. O Conselho Deliberativo do clube aprovou o impeachment do dirigente após a constatação de irregularidades no contrato com a Vai de Bet, incluindo o uso de empresas interpostas e a falta de transparência no pagamento de comissões. Para o autor da ação, a destituição do ex-presidente representa um reconhecimento institucional de que houve manipulação no fluxo do contrato.
Na petição, a defesa de Toninho Duettos argumenta que o clube se beneficiou integralmente do patrocínio, a patrocinadora obteve a visibilidade pretendida, mas os intermediadores que viabilizaram o negócio ficaram sem qualquer remuneração. A cobrança judicial busca evitar o enriquecimento ilícito e garantir o pagamento da comissão prevista, com correção monetária e juros legais desde a assinatura do contrato.
O valor da causa foi fixado em R$ 8,4 milhões. O empresário também pediu o parcelamento das custas processuais, que ultrapassam R$ 100 mil, e manifestou interesse em uma audiência de conciliação. A ação agora aguarda a citação do Corinthians para apresentação de defesa e o início da tramitação judicial