A Supercopa Rei terminou como poucas finais conseguem terminar: contrariando o roteiro que parecia escrito desde o início da temporada. O Corinthians venceu o Flamengo no Mané Garrincha mostrando que futebol não se decide apenas com elenco estrelado, posse de bola ou estatísticas vistosas. Decide-se, sobretudo, com disposição – e nisso o time paulista foi amplamente superior.
Não dá para dizer que o Corinthians foi tecnicamente melhor. O Flamengo segue sendo o time mais qualificado do Brasil e da América do Sul, algo que fica evidente nos números de posse de bola, no volume de jogo e na capacidade de finalização. Mas futebol não é planilha. É confronto. E, nesse confronto, o Corinthians jogou como quem não aceita perder. No fim das contas, Timão 2 x 0.
A equipe alvinegra entrou em campo com intensidade máxima, ganhou divididas no meio-campo, foi agressiva na marcação e mostrou organização tática aliada a uma entrega física impressionante. Jogou com a faca nos dentes. Já o Flamengo pareceu acomodado, como quem sabe que é bom e acredita que pode resolver a qualquer momento. O discurso de que ganharia tudo em 2026 ficou no campo da expectativa. O Carioca já escapou. A Supercopa também. Sinal de alerta ligado. São três derrotas consecutivas, e isso não acontecia há anos.
Essa superioridade apareceu também fora das quatro linhas. Embora o estádio estivesse visualmente mais rubro-negro, com mais de 70 mil torcedores, a torcida do Corinthians foi soberana no barulho, no incentivo e na presença ativa durante todo o jogo. Foram mais de 100 ônibus de torcedores que foram para Brasília, empurrando o time do início ao fim. Em número absoluto, o Flamengo tinha vantagem, até pela forte presença de torcedores locais. Mas em intensidade, participação e apoio, a torcida corintiana engoliu.
Dentro de campo, algumas atuações merecem registro especial. Gabriel Paulista estreou com estrela e decidiu a final com um dos gols do título. O lateral-direito Matheuzinho, pouco badalado, fez uma partida segura e eficiente. No ataque, Yuri Alberto foi incansável, não deu descanso aos zagueiros e foi premiado com um golaço no último lance da partida. Carlo Ancelotti estava no Estádio e certamente ficou de olho. Nele, e no garoto Breno Bidon, que é muito bom de bola: “Ah, ele tava aí? Espero que tenha gostado”, disse após o jogo ao ser entrevistado.
Menphis Depay
Nesse mesmo pacote entra Memphis Depay. Dentro de campo, ainda longe do brilho máximo, aparentando ritmo abaixo do ideal, algo compreensível para quem retorna de férias. Fora de campo, porém, ele foi um dos grandes personagens da decisão. Pelo contrato firmado com o Corinthians, Depay tem direito a uma premiação robusta por cada título conquistado.
O Corinthians receberá R$ 6,5 milhões da CBF, acrescidos de US$ 1 milhão da CONMEBOL, valor que equivale a aproximadamente R$ 5,2 milhões. Ou seja, uma arrecadação total próxima de R$ 11,7 milhões. O detalhe é que o contrato do holandês prevê um bônus milionário por título, o que faz com que uma fatia significativa desse prêmio seja destinada diretamente ao jogador, além dos custos tributários que recaem sobre o clube. Financeiramente, o título pesa. Esportivamente, não há discussão: vale cada centavo.
Pelo lado do Flamengo, a grande novidade foi a reestreia de Lucas Paquetá, que voltou ao clube após sete anos atuando na Europa. Entrou no segundo tempo, ainda buscando espaço, tempo e entendimento dentro do time. É natural. Mas, além de não ser decisivo, perdeu um gol debaixo da trave nos acréscimos. Incrivel!
No fim das contas, a Supercopa Rei deixou uma lição clara. Elenco forte, favoritismo e discurso não ganham jogo sozinhos. O Corinthians mostrou que disposição, organização e vontade seguem sendo elementos decisivos. E o Flamengo, apontado como imbatível, sai com um aviso que a temporada já fez questão de deixar claro logo no começo.