O ex-atacante Túlio Maravilha voltou ao centro do debate público não por feitos esportivos, mas por um discurso moralista que provocou forte reação nas redes sociais. Em um vídeo ao lado da esposa e da filha, ele afirmou que não permitiria que a jovem estudasse em universidades públicas, alegando que essas instituições não estariam alinhadas com os “valores” da família e estariam “precárias”. A fala foi recebida como desrespeitosa com o ensino público, que forma gerações de profissionais em praticamente todas as áreas do país.
A reação negativa não se deu apenas pelo tom preconceituoso com as universidades, mas pela contradição entre o discurso adotado agora e a própria trajetória pública do ex-jogador. Ao se colocar como referência moral, Túlio expõe um histórico marcado por episódios que pouco combinam com a postura que tenta projetar.

O mesmo personagem que hoje aponta supostos riscos morais no ambiente universitário já explorou sua própria imagem de forma escancaradamente oportunista, ao posar nu para a revista G Magazine, voltada para o público gay, no auge da carreira. Não se trata de julgar escolhas pessoais, mas de evidenciar o choque entre esse passado e a retórica moralizante atual.
Há também um capítulo mais sério nessa biografia fora dos gramados. Em 2010, quando concorreu ao cargo de deputado estadual por Goiás, Túlio foi condenado pela Justiça Eleitoral por fraudar a prestação de contas da campanha. Ele omitiu doações e apresentou recibos falsificados, prática que resultou em uma condenação de dois anos e nove meses de prisão. O ex-jogador e um assessor foram considerados culpados por irregularidades cometidas no período pré-eleitoral.
A própria construção da imagem pública de Túlio sempre flertou com a distorção. A narrativa dos “mil gols”, repetida por ele como feito histórico, não encontra respaldo em registros oficiais de partidas reconhecidas e virou símbolo de uma carreira marcada pela autopromoção.
O episódio recente segue esse mesmo padrão. Fora do centro do noticiário há anos, Túlio recorre à polêmica fácil para voltar à vitrine. Atacar universidades públicas – responsáveis pela formação de médicos, professores, pesquisadores e quadros técnicos que sustentam o país – revela um argumento raso e oportunista, que pouco tem a ver com valores e muito com a busca por holofotes.
No fim, o que se vê é um descompasso evidente entre o discurso moralista adotado agora e a própria história de quem tenta se apresentar como exemplo.