Há histórias que deveriam descansar em silêncio, em respeito à dor que carregam. O caso de Eliza Samudio é uma delas. Mais de uma década após um dos crimes mais bárbaros do país, a vítima e sua família voltam a ser expostas por especulações que ganharam dimensão internacional com o reaparecimento de um passaporte atribuído a Eliza, em Portugal. O episódio reacende curiosidades, mas também reabre feridas.
O documento foi entregue ao Consulado-Geral do Brasil em Lisboa e contém carimbo de entrada em território português. Em entrevista ao jornal O Tempo, de Minas Gerais, o ex-delegado Edson Moreira, responsável pela investigação do caso, afirmou que o passaporte não muda em nada as conclusões do inquérito e que não acredita que Eliza esteja viva ou tenha morado na Europa após o crime.
Segundo Moreira, Eliza esteve em Portugal em 2010, o que explicaria o registro no documento. À época, fotos dela ao lado de Cristiano Ronaldo integraram o processo. O ex-delegado afirmou que o reaparecimento tardio do passaporte levanta apenas dúvidas sobre quem manteve o documento por tantos anos e defendeu que qualquer apuração sobre isso fique a cargo da Polícia Federal.
A ligação com o nome de Cristiano Ronaldo deu caráter planetário ao episódio. Em 2010, Eliza declarou que teve um breve envolvimento com o jogador português, sem relacionamento duradouro, e que mantiveram contato à distância.
No passaporte encontrado, porém, há apenas o registro de entrada em Portugal, sem indícios de mudança definitiva de país. Para a família de Eliza Samudio, o reaparecimento do documento e a nova onda de especulações representam mais dor, não respostas. Um capítulo que volta à tona quando tudo o que se esperava, depois de tanto sofrimento, era apenas silêncio, respeito e paz.