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Futebol ETC
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Casemiro tentou “proteger” Endrick, mas acabou revelando a patota no ambiente da Seleção

Ao mesmo tempo, o capitão anda sussurrando no ouvido de Carlo Ancelotti: “Traz o Neymar”

Marcondes Brito

09/05/2026 5h35

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Foi uma entrevista que parecia inofensiva. Casemiro, capitão da seleção brasileira, conversou com a TNT Sports para – dentre outros temas da Seleção – defender Endrick das críticas e das expectativas em cima do garoto. Só que no meio do argumento, o volante soltou uma frase que abriu uma porta que muitos nos bastidores tentavam manter fechada.

“Ele ainda não é do grupo”, disse Casemiro sobre Endrick.

E foi o suficiente. A declaração, ainda que bem-intencionada, expôs aquilo que todo mundo desconfiava, mas poucos tinham coragem de cravar publicamente: existe, sim, uma patota na seleção brasileira. E para entrar nela, não basta jogar bem. É preciso ter aval, tempo de casa, ou talvez o sobrenome certo.

O argumento da idade, usado por Casemiro como muleta, não se sustenta nem dentro da própria seleção atual. Estêvão, por exemplo, também tem 19 anos e circula pelo grupo com muito mais naturalidade. A diferença de tratamento entre os dois jovens mostra que o critério não é técnico, nem etário. É político. É de panelinha mesmo.

Para o leitor que está chegando agora, vale o resumo: Casemiro tentou blindar Endrick, mas, ao fazer isso, deu munição para quem enxerga na seleção um ambiente fechado, quase corporativo, onde novatos precisam de carta de apresentação dos mais velhos para serem de fato acolhidos.

E aí o caso ganha um contorno ainda mais delicado porque o técnico é Carlo Ancelotti. O italiano foi contratado exatamente para fazer a faxina nas panelas, reconstruir a meritocracia e devolver à seleção um ambiente profissional. Quando o próprio capitão diz publicamente que um jogador – um jogador que já resolveu jogos importantes pela seleção –  “não é do grupo”, Ancelotti recebe um recado indireto, mas potente: a patota ainda dita as regras.

Para nós, a questão fica ainda mais espinhosa porque Endrick é brasiliense. Saiu da Ceilândia, enfrentou todo tipo de desconfiança, venceu no Palmeiras, foi vendido ao Real Madrid aos 18 anos e segue tendo que ouvir que não é “do grupo”. O moleque que representa a nova geração do futebol do Distrito Federal – e orgulha uma cidade inteira – esbarra numa muralha invisível dentro da própria seleção.

E tem um detalhe que amarra a história. Enquanto tenta isolar Endrick da patota com um discurso de cautela, Casemiro ao mesmo tempo joga nos bastidores uma outra moeda. O volante tem feito pressão constante para que Ancelotti convoque Neymar. Inclusive com conversas diretas, com lobby explícito. O capitão que diz proteger o garoto é o mesmo que atua ativamente para trazer de volta o nome mais consolidado da velha guarda.

Não é contradição. É política de grupo.

 Endrick segue sendo tratado como promessa que ainda precisa esperar a vez. A torcida, no entanto, já entendeu o recado: o menino vai ter que calar a patota dentro de campo. Como sempre fez.

E enquanto isso, Casemiro sussurra no ouvido de Ancelotti: “Traz o Neymar.”

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