Na véspera da final da Libertadores entre Flamengo e Palmeiras, a rivalidade histórica entre Rio e São Paulo ganhou um capítulo de improviso. Não foi em campo. Foi nos microfones, onde jornalistas dos dois centros resolveram medir forças.
Tudo começou quando Bruno Vicari, da ESPN, comentou a diferença entre a famosa Aerofla, que lotou o Galeão antes da viagem para a final de 2019, e a despedida palmeirense agora, rumo a Porto Alegre. Vicari atribuiu a disparidade a um fator cultural, dizendo que no Rio o ambiente favorece manifestações mais calorosas, enquanto São Paulo seria mais pragmática e menos propensa a parar a cidade por causa de futebol.
Até esse ponto, era um comentário discutível, mas dentro da normalidade.
Mauro Cezar reage
A temperatura subiu quando Mauro Cezar Pereira assistiu ao trecho e interpretou que Vicari estaria dizendo que o carioca não trabalha. Daí em diante o tom se perdeu completamente. Em vídeo, Mauro Cezar acusou xenofobia, afirmou que a fala sugeria preguiça do carioca e partiu para ataques pessoais, chamando o colega de imbecil e dizendo que ele desconhece a realidade do cotidiano do Rio.
Quem exagerou
Os dois acabaram passando do ponto. Vicari tentou explicar um fenômeno enorme com uma generalização cultural pouco precisa. Mauro Cezar, por outro lado, entendeu como ofensa algo que não estava dito e transformou a reflexão sobre torcida em mais uma batalha contra a mídia paulista, o que tem sido um hábito dele.
Mas, na verdade, nenhum dos dois tocou no que realmente explica o tamanho da Aerofla.
Opinião: não é cultura, é massa
A discussão se encerraria facilmente com um dado simples. A torcida do Flamengo é muito maior e, proporcionalmente, muito mais mobilizada em manifestações desse tipo. Não é estilo de vida, nem clima, nem comportamento típico do carioca. É tamanho.
Quando a massa rubro-negra decide aparecer, ela realmente mexe com a cidade inteira.
E isso não diminui a torcida do Palmeiras. Em São Paulo existem demonstrações tão grandes quanto ou maiores, desde que o protagonista seja o Corinthians. O maior exemplo recente foi em 2011, quando o Corinthians foi campeão mundial no Japão. Cerca de 40 mil torcedores invadiram Yokohama para acompanhar o time. Nenhum outro clube do mundo repetiu isso. Nem o Flamengo.
No fim das contas, não é sobre cultura. É sobre quantidade. E quantidade faz diferença, especialmente na hora de encher aeroporto.