A primeira rodada do Campeonato Brasileiro de 2026 já deixou um rastro de desconfiança espalhado pelo país. Não foi apenas um tropeço aqui ou ali. Foram derrotas simbólicas, em casa, diante da própria torcida, que ajudam a construir desde cedo um clima de alerta – e, em alguns casos, de pré-crise.
O Internacional abriu a lista das vítimas ao cair no Beira-Rio para o Atlético Paranaense. Perder em casa logo na estreia nunca é detalhe, ainda mais para um time que costuma se apoiar no peso do estádio como diferencial. No mesmo roteiro, o Coritiba decepcionou ao ser derrotado pelo Bragantino diante da sua torcida, em um resultado que escancara a dificuldade histórica do clube em transformar mando de campo em pontos.
O Grêmio vive dias ainda mais turbulentos. Depois da derrota no Gre-Nal pelo Campeonato Gaúcho, o time voltou a perder, agora para o Fluminense, ampliando o clima de descrédito que já ronda a relação com o torcedor. Quando a temporada começa e a confiança não aparece, o sinal de alerta acende rápido.
O Santos parece repetir um roteiro que o torcedor já conhece bem. Mesmo contando com dois dos jogadores mais caros do futebol brasileiro, Neymar e Gabigol, a dupla não entrou em campo contra a Chapecoense. O resultado foi uma derrota por 4 a 2 que reforça a sensação de mais um ano em que o objetivo será somar pontos olhando para baixo na tabela. No Santos, talento na folha de pagamento nem sempre se traduz em tranquilidade no campeonato.
O Corinthians também saiu mal na foto na 1ª da rodada. Perder em casa para o Bahia, ainda mais depois de sofrer a virada jogando com um homem a mais, chama atenção. O dado que pesa é o histórico recente do adversário: no Brasileiro do ano passado, o Bahia venceu apenas três jogos fora de casa. Começar 2026 ganhando em SP é um recado claro de que algo não encaixou do lado corintiano.
Mas a principal vítima da rodada atende pelo nome de Flamengo. A derrota para o São Paulo expôs uma sequência de escolhas que cobram preço agora. O time paulista chegou ao jogo pressionado, com salários atrasados e a própria torcida desconfiada. Ainda assim, jogou mais futebol e venceu um Flamengo que segue dando sinais de soberba.
A temporada rubro-negra começou com o clube tratando o Campeonato Carioca como algo menor, apostando numa espécie de pré-temporada de luxo para um elenco bilionário. O plano ruiu quando o time sub-20 afundou na lanterna da chave. A correção veio tarde. Os titulares entraram, venceram o Vasco, perderam para o Fluminense e agora caem diante do São Paulo, em mais uma atuação abaixo do esperado.
Essa derrota agrava a situação do Flamengo e coloca pressão direta sobre o técnico Filipe Luís. A torcida rubro-negra é exigente ao extremo e alimenta a convicção de que o time pode vencer qualquer jogo quando quiser. O problema é que, neste início de temporada, o Flamengo parece não querer vencer – e, pior, não consegue.
O cenário fica ainda mais delicado porque, no domingo, Flamengo e Corinthians decidem a Supercopa Rei. Curiosamente, os dois campeões nacionais de 2025 chegam ao duelo feridos, tropeçando e cercados por desconfiança. É uma final disputada em clima de pré-crise. E há um detalhe nada pequeno: quem perder dificilmente continuará falando apenas em alerta. A derrota pode transformar o incômodo em crise declarada logo no começo do ano.