Quando a bola rolar nesta quarta-feira (28) para o Campeonato Brasileiro de 2026, não estaremos apenas iniciando mais uma edição do torneio nacional. O pontapé em uma temporada atípica de calendário estendido, consolida uma nova era no futebol brasileiro. A velha máxima de que o Brasileirão é um torneio imprevisível, onde “qualquer um dos 12 grandes pode ganhar”, tornou-se uma peça de museu. A última década (2016–2025) nos ensinou que o campeonato de pontos corridos deixou de ser uma loteria para se tornar uma ciência exata de gestão e elenco. E, nessa nova ordem, ninguém entendeu a fórmula melhor do que a Sociedade Esportiva Palmeiras.
Ao olharmos pelo retrovisor dos últimos dez anos, o que vemos não é alternância, mas polarização. E no topo dessa pirâmide, a predominância alviverde é acachapante. De 2016 para cá, o Palmeiras não apenas venceu quatro edições (2016, 2018, 2022 e 2023), como estabeleceu um padrão de competitividade que beira o insano: esteve no “Top 2” em sete das últimas dez temporadas.
Isso significa que, em 70% da última década, o torcedor palmeirense chegou às rodadas finais ou gritando “campeão” ou disputando a taça ponto a ponto até o suspiro final – como nos vices de 2017, e nos recentes 2024 e 2025.
Essa consistência demole o argumento do acaso. O sucesso do Palmeiras, e em menor escala a rivalidade polarizada com o Flamengo (tricampeão no período), expõe a nova verdade do nosso futebol: a maratona dos pontos corridos não perdoa o improviso. Em um campeonato que começa agora em janeiro e só termina em dezembro, atravessando Copa do Mundo e Datas FIFA, a camisa pesada não entra em campo sozinha. O que ganha jogo é a profundidade do banco de reservas, a estrutura física que recupera atletas em 48 horas e a manutenção de trabalhos a longo prazo.
Enquanto rivais históricos viveram soluços de glória ou mergulharam em crises institucionais, o Palmeiras transformou o Allianz Parque em uma fortaleza industrial de vitórias. Mesmo quando não encanta esteticamente, o time se impõe fisicamente e taticamente. É a vitória do processo sobre o talento efêmero.
A polarização entre São Paulo e Rio de Janeiro — que concentraram 9 dos últimos 10 títulos – é o reflexo financeiro do país, mas a “Era Palmeiras” é um mérito esportivo isolado. O clube paulista provou que, na era moderna, dinheiro é combustível, mas gestão é o motor.
Para 2026, com um calendário que exigirá fôlego sobre-humano e elencos duplicados, a régua já está traçada. Quem quiser tirar a taça do eixo hegemônico terá que fazer mais do que um “bom time titular”. Terá que construir uma máquina de competir, tal qual a que foi forjada na Barra Funda. O Brasileirão começa hoje, mas, se a lógica da última década se mantiver, já sabemos quem estará brigando no topo quando dezembro chegar.