Quem acordou cedo e bateu o olho na televisão pode ter confundido as camisas: a equipe de amarelo era a Austrália; o Brasil jogava de azul. Em certos momentos do primeiro tempo, a impressão ia além do uniforme. Os australianos pareciam mais organizados e perigosos, mesmo depois de sofrerem um gol logo no início.
O Brasil abriu o placar com Vanderson, mas permitiu a virada australiana. Raphinha cobrou um pênalti nos minutos finais e levou o jogo para o intervalo empatado em 2 a 2. Foi uma reação importante no placar, embora insuficiente para esconder as falhas da equipe. Vinícius Júnior, um dos poucos brasileiros que se salvaram na última Copa do Mundo, teve outra atuação abaixo do nível que já mostrou.
Ancelotti mexeu no time no intervalo, e a entrada de Endrick deu outra energia ao ataque. O jovem partiu para cima, criou oportunidades, disputou espaço com zagueiros muito maiores e não se intimidou nem quando um lance com Harry Souttar terminou em confusão. Aos 24 minutos do segundo tempo, serviu Bruno Guimarães, que marcou o gol da virada. Foi um lampejo do futebol que o torcedor espera ver com mais frequência.
Endrick parecia merecer também um gol. Aos 35 minutos, quando Vinícius Júnior sofreu um pênalti, o jovem se ofereceu para cobrar. Vinícius fez um gesto para que Bruno Guimarães batesse. Era uma oportunidade de superação para o volante, que havia perdido o pênalti decisivo na derrota para a Noruega na Copa do Mundo. Mas a ordem vinda do banco de Ancelotti foi para que o próprio Vinícius cobrasse. Ele bateu e definiu o placar em 4 a 2.
Depois do empate por 1 a 1 na sexta-feira, vencer trouxe algum alívio. Mas Ancelotti sabe que tem uma renovação difícil nas mãos. Antes da partida, elogiou os jovens convocados, pediu paciência e afirmou que as críticas não mudarão suas ideias nem a estrutura que planeja para a seleção. Há jogadores em teste, e outros ainda podem ganhar espaço. O problema é que a torcida brasileira, acostumada a cobrar muito mais, talvez não tenha a mesma paciência do treinador.
O resultado conta, sobretudo numa fase de reconstrução. A atuação, porém, deixa uma pergunta incômoda. Ao acompanhar também os jogos das grandes seleções europeias nesta data Fifa, é difícil não sentir um frio na barriga ao imaginar como o Brasil se sairia hoje diante delas.