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Brasil limita estrangeiros, mas brasileiros seguem sem espaço no futebol sul-americano

São apenas três brasileiros na primeira divisão da Argentina, oito no Uruguai, cinco na Colômbia, seis no Chile, 12 no Paraguai e cerca de 15 na Bolívia.

Marcondes Brito

22/09/2026 5h43

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A decisão tomada pelas diretorias dos clubes das Séries A e B nesta segunda-feira (21) mexe com uma tendência que parecia irreversível no futebol brasileiro: a presença cada vez maior de jogadores estrangeiros nas nossas equipes de ponta..

Por proposta da CBF, o limite de estrangeiros relacionados por partida, hoje de nove, cairá para oito em 2027 e será reduzido gradualmente até chegar a cinco em 2030. A justificativa é abrir espaço para atletas das categorias de base e conter o envelhecimento do Brasileirão, cuja média de idade chegou a 28,5 anos.

A medida dividiu os clubes. Com dez estrangeiros no elenco, o Flamengo foi contrário à limitação, mas acabou voto vencido. Também ficou definido que as listas de 50 inscritos terão pelo menos 20 jogadores sub-23 em 2027, número que chegará a 25 em 2030.

Mas a decisão da CBF chama atenção para uma contradição pouco discutida: o Brasil abre suas portas para jogadores de toda a América do Sul, enquanto os brasileiros praticamente não encontram espaço nas principais ligas dos países vizinhos.

Em 2026, o futebol brasileiro utilizou 172 estrangeiros. No sentido contrário, os números são quase insignificantes: são apenas três brasileiros na primeira divisão da Argentina, oito no Uruguai, cinco na Colômbia, seis no Chile, 12 no Paraguai e cerca de 15 na Bolívia.

Existe, evidentemente, uma explicação econômica. O Brasil paga salários que boa parte dos clubes vizinhos não consegue acompanhar. Mas isso não explica tudo. Há também uma barreira histórica e cultural, especialmente na Argentina, onde brasileiros na primeira divisão continuam sendo raridade.

O contraste é evidente. O futebol brasileiro incorporou argentinos, uruguaios, colombianos e paraguaios aos seus principais elencos. Já encontrar brasileiros em quantidade semelhante nos clubes desses países é praticamente impossível.

A CBF agora tenta reduzir esse fluxo de entrada e reservar mais vagas aos jogadores formados no país. Mas permanece uma questão que vai além do novo limite de estrangeiros: por que o Brasil absorve tantos jogadores sul-americanos enquanto seus próprios profissionais quase não encontram mercado nos países vizinhos?

No futebol sul-americano, a integração existe. Para os jogadores, porém, ela continua funcionando quase sempre numa única direção.

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