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Bateu arrependimento? A reação das Bets e a conta das urnas

O protesto coordenado nos gramados expôs o tamanho da reação de um mercado de bilhões de reais que sustentava as finanças da maioria dos clubes do país e ocupava espaços nobres na mídia esportiva

Marcondes Brito

12/10/2026 5h21

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Neste fim de semana, a realização da segunda rodada do Brasileirão após a Data Fifa foi marcada de novo por placas de protesto contra a proibição das bets. A repetição do manifesto promovido pelas entidades do setor nos estádios – articulado de forma conjunta pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) – reflete a temperatura de uma crise institucional e econômica que ultrapassou as quatro linhas e desaguou diretamente no resultado do primeiro turno das eleições. 

O protesto coordenado nos gramados, que estampou mensagens contundentes como “Proibir não é proteger”, “Não se muda a regra no meio do jogo”, “A quem interessa o mercado ilegal?” e “A demanda não acaba, apenas muda de endereço”, expôs o tamanho da reação de um mercado de bilhões de reais que sustentava as finanças da maioria dos clubes do país e ocupava espaços nobres na mídia esportiva.  

A edição da Medida Provisória nº 1.394/2026, baixada de forma abrupta pelo Palácio do Planalto na reta final da campanha para banir a operação e a publicidade dessas plataformas no país, é vista hoje por analistas e por membros da própria articulação política do governo como um equívoco tático de grande impacto eleitoral. 

A intenção inicial do Executivo era estancar a sangria do endividamento das famílias de baixa renda, conter os impactos na renda do Bolsa Família e acenar ao eleitorado evangélico. No entanto, o movimento soou como uma reação afobada diante do problema e acabou colocando a campanha oficial na defensiva justamente nos dias mais decisivos da disputa pelas urnas.

Levantamentos do período mostraram que, embora a maior parte da população aprovasse algum tipo de controle sobre a jogatina, o açodamento da proibição gerou ruídos severos. A oposição explorou a pauta com rapidez para desgastar a imagem do presidente, enquanto a perda súbita de patrocínios vitais para o futebol e o risco iminente de migração dos apostadores para sites clandestinos provocaram forte rejeição no público jovem, em influenciadores digitais e nos bastidores dos clubes. 

Se o Planalto pudesse reescrever esse trecho da campanha, dificilmente repetiria a dose. O saldo do primeiro turno deixou o governo diante de uma conta amarga: uma intervenção drástica que drenou votos urbanos valiosos sem entregar o dividendo político esperado.

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A coluna na edição impressa do Jornal de Brasilia

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