A julgar pelas últimas movimentações do dia, o time provável da Seleção Brasileira para o amistoso contra a Croácia deve ser: Ederson; Ibañez, Marquinhos, Léo Pereira, Douglas Santos; Casemiro, Danilo; Luiz Henrique, Matheus Cunha, João Pedro e Vini Jr.
E é exatamente a partir dessa escalação que nasce a preocupação — e, mais do que isso, a incompreensão.
O Brasil vem de um jogo em que o ataque simplesmente não funcionou. Contra a França, o único gol saiu de um zagueiro. Não houve criação consistente, não houve presença ofensiva que assustasse. O time só ganhou algum fôlego quando Luiz Henrique entrou em campo, trazendo mobilidade e agressividade. Ainda assim, foi pouco.
Diante desse cenário, o amistoso contra a Croácia deveria servir justamente para testar alternativas ofensivas. E aí entra o ponto que não fecha: a ausência de Endrick entre os titulares — ou, mais do que isso, a sua completa falta de protagonismo nas escolhas de Carlo Ancelotti.
Endrick vive um momento excelente no Lyon. Está jogando, está decidindo, está em evidência. É exatamente o tipo de jogador que pede passagem quando o setor ofensivo não responde. Ignorar esse contexto em um amistoso — que, por definição, é espaço para testes — não parece fazer muito sentido.
E aqui começa a preocupação mais profunda.
Não é de hoje que Endrick parece não ser prioridade para Ancelotti. Ainda no Real Madrid, o atacante já recebia poucos minutos. Entrava, na maioria das vezes, em jogos secundários, enquanto nas competições principais praticamente não era utilizado. À época, muita gente colocou essa responsabilidade na conta de Xabi Alonso. Mas é preciso lembrar: antes dele, o próprio Ancelotti já não dava espaço ao jogador.
Ou seja, não estamos falando de um episódio isolado. Estamos falando de um padrão.
E quando esse padrão se repete na Seleção, justamente às vésperas de uma Copa do Mundo, o alerta precisa ser ligado. Porque não se trata apenas de uma escolha pontual — trata-se de um possível desperdício de talento.
Se é amistoso, é teste. Se é teste, é oportunidade. E se nem assim Endrick entra no radar, fica a pergunta inevitável: o que mais ele precisa fazer?
Porque, do jeito que está, soa menos como critério técnico e mais como sacanagem.