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Alejandro Domínguez acumula trapalhadas no comando da Conmebol

Um conjunto de ações ajuda a explicar a percepção crescente de que a Conmebol, sob sua liderança, funciona mais como uma confederação de conveniências do que como uma entidade moderna

Marcondes Brito

23/03/2026 5h47

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Reprodução

Alejandro Domínguez, paraguaio e presidente da Conmebol desde 2016, conseguiu a proeza de transformar a entidade sul-americana em uma sucessão de constrangimentos públicos. Não se trata de um episódio isolado, mas de um padrão que se repete com impressionante regularidade. Mais do que erros pontuais, suas decisões e declarações revelam um estilo de gestão que frequentemente desrespeita a lógica do esporte e o peso político do futebol sul-americano.
A mais recente trapalhada é digna de espanto. Ao reconhecer a Argentina como campeã da Finalíssima de 2026 sem que a partida contra a Espanha tenha sido disputada, Domínguez simplesmente atropelou o princípio mais básico do futebol: o resultado se define em campo. Diante de dificuldades de calendário e do contexto internacional, optou por uma solução de gabinete, como se fosse possível decretar um campeão por conveniência. O que deveria ser uma decisão esportiva virou um ato administrativo, esvaziando o valor da competição.
Na mesma semana, o dirigente ainda encontrou espaço para protagonizar outro episódio controverso. Durante o sorteio da Libertadores e da Sul-Americana, fez cobranças públicas aos clubes brasileiros sobre gestão financeira, salários e fair play. O tema é legítimo, mas a forma foi, no mínimo, inadequada. O Brasil hoje sustenta boa parte das receitas das competições da Conmebol, e ouvir um sermão em rede internacional, vindo de uma entidade que frequentemente falha na organização de seus próprios torneios, soa como um gesto de descompasso com a realidade. Cobrar profissionalismo enquanto entrega problemas recorrentes de logística, segurança e estrutura é uma contradição difícil de ignorar.
E não é de hoje que Domínguez coleciona episódios infelizes. Há pouco mais de um ano, ao tentar exaltar a importância dos clubes brasileiros, afirmou que a Libertadores sem o Brasil seria como “Tarzan sem a Chita”. A frase, carregada de insensibilidade em um continente marcado por episódios de racismo nos estádios, teve repercussão imediata e negativa. O dirigente foi duramente criticado, virou persona non grata no Rio de Janeiro.
O conjunto dessas ações ajuda a explicar a percepção crescente de que a Conmebol, sob sua liderança, funciona mais como uma confederação de conveniências do que como uma entidade moderna. Domínguez distribui títulos por decreto, tensiona a relação com seus principais protagonistas e ainda carrega no histórico declarações que ampliam feridas que o futebol insiste em não curar.
O problema, enfim, não é apenas o erro em si, mas a repetição dele. E, nesse aspecto, Alejandro Domínguez parece determinado a não deixar o futebol sul-americano esquecer de suas trapalhadas.

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A coluna Futebol Etc na edição impressa do Jornal de Brasília

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