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Futebol ETC
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A Liga Única, apoiada pela CBF, pode até nascer, mas já nasce com um problema velho

A verdadeira unificação – aquela que envolve dinheiro – continua sendo o ponto mais distante para se chegar a um consenso 

Marcondes Brito

07/04/2026 5h12

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A reunião realizada nesta segunda-feira, no Rio de Janeiro, mostrou que a CBF conseguiu, ao menos no discurso, avançar na tentativa de unificar Libra e LFF. Houve apresentação de estudos, comparação com ligas europeias e a construção de um cronograma que, em tese, aponta para a criação de uma Liga Única já a partir deste ano.

A ideia, sem dúvida, é sedutora. Faz sentido do ponto de vista institucional, melhora a governança e, no discurso, aproxima o futebol brasileiro das grandes ligas do mundo. Mas há um detalhe incômodo sendo cuidadosamente empurrado para debaixo do tapete: quem fica com quanto.E não é um detalhe qualquer. É o coração do problema.

A divisão das cotas de transmissão não é apenas uma divergência técnica, é uma disputa política, econômica e histórica. De um lado, clubes que defendem maior equilíbrio na distribuição. Do outro, aqueles que não abrem mão de receitas proporcionais à sua audiência, tamanho e capacidade de gerar mercado. Não há consenso – e, mais importante, não há sinal real de que ele esteja próximo.

A própria CBF dá uma pista clara disso ao propor que a discussão mais espinhosa fique para depois. Bem depois. Só a partir de 2030, quando os contratos atuais se encerram. Ou seja: cria-se a liga agora, mas adia-se o principal conflito. É como construir a casa deixando a fundação para daqui a quatro anos.

Esse adiamento não é casual. Ele revela o tamanho do impasse. Se fosse simples resolver, já estaria resolvido. O fato de ninguém querer mexer nisso agora mostra que o consenso, hoje, é praticamente impossível.

E há um risco evidente nessa estratégia: criar uma liga formalmente unificada, mas com tensões internas latentes, prontas para explodir quando o assunto inevitavelmente voltar à mesa. Porque ele vai voltar.

A CBF aposta no argumento de que é preciso primeiro aumentar o tamanho do bolo. É um raciocínio correto – mas incompleto. Não adianta apenas crescer se não houver acordo sobre como dividir. Em algum momento, a conta chega. E, no futebol brasileiro, ela costuma chegar com atraso… e com conflito.

Em resumo, a tal Liga Única pode até sair do papel. Mas a verdadeira unificação – aquela que envolve dinheiro – continua sendo o ponto mais distante desse projeto.

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