A análise publicada pelo jornal espanhol AS é um retrato incômodo do momento da seleção brasileira. O olhar europeu, direto e sem concessões, aponta uma série de falhas estruturais, táticas e até comportamentais que ajudam a explicar por que o Brasil já não assusta como antes.
Abaixo, um compilado dessas impressões:
1. O Brasil está muito longe do nível que sua camisa exige
2. Esta geração é boa, mas não é extraordinária
3. O time joga mais com emoção do que com razão
4. Falta organização coletiva clara
5. Há dependência excessiva de jogadas individuais
6. O Brasil não tem um verdadeiro organizador de jogo
7. Falta um “cérebro” no meio-campo
8. Casemiro tenta liderar, mas não consegue sustentar sozinho
9. O modelo de jogo é limitado e tem “teto baixo”
10. A equipe aposta demais na velocidade e pouco na construção
11. A posse de bola não é qualificada
12. O time recupera pouco a bola durante o jogo
13. Vinícius Júnior foi praticamente inexistente na partida
14. Raphinha começou bem, mas caiu e saiu no intervalo
15. O ataque depende de lampejos individuais, não de jogadas trabalhadas
16. A defesa é frágil em todos os aspectos
17. Em alguns momentos, a defesa é descrita como “gelatina”
18. Há desorganização tática evidente no sistema defensivo
19. O time sofre gols simples, evitáveis
20. Mesmo com um jogador a mais, o Brasil piorou
21. Faltou inteligência para aproveitar a superioridade numérica
22. O time se perde diante de espaços — “paralisia por análise”
23. A reação foi curta e inconsistente
24. Falta maturidade competitiva
25. O Brasil atual não transmite solidez
26. Falta identidade de jogo
27. O coletivo não acompanha o talento individual
28. O time não controla o ritmo da partida
29. Há dificuldade de adaptação durante o jogo
30. Este não é o Brasil que o mundo se acostumou a ver
Opinião minha
Esse é o diagnóstico vindo de fora. Um diagnóstico duro, repetido e, em alguns pontos, até previsível.
Mas há um detalhe fundamental que passa ao largo dessa análise.
O Brasil que esteve em campo nesta quinta-feira era um time profundamente desfalcado. Um time remendado.
Faltaram peças essenciais como o goleiro Alisson, os zagueiros Marquinhos e Gabriel Magalhães, o lateral Alex Sandro, além de Éder Militão, Bruno Guimarães e Estevão. Sete desfalques.
Na defesa, o impacto foi ainda mais evidente. O Brasil precisou improvisar uma dupla de zaga que nunca havia atuado junta, jogadores que sequer tinham histórico consolidado na seleção. Entraram em campo em um cenário de altíssima exigência, contra um adversário de elite. É natural que isso cobre um preço.
Se o cenário fosse inverso, e a França entrasse em campo com sete ausências relevantes diante de um Brasil completo, muito provavelmente a leitura europeia também seria severa — talvez nos mesmos termos.
Por isso, as críticas não estão totalmente erradas. Mas estão incompletas.
O Brasil analisado não era exatamente o Brasil. Era uma versão emergencial, improvisada — e que, ainda assim, por momentos, conseguiu competir.
O desafio não é ignorar o que vem de fora. É saber separar diagnóstico de exagero.