Menu
Futebol ETC
Futebol ETC

A discrepância entre homens e mulheres no futebol está no bolso

Diferença salarial escancara abismo entre futebol masculino e feminino

Marcondes Brito

08/09/2025 5h37

2

Reprodução

A cada temporada, o futebol feminino conquista novos espaços: estádios lotados, transmissões em TV aberta e fechada, patrocinadores de peso e jogadoras que se tornam ídolos globais. No entanto, por trás desse crescimento, uma realidade ainda salta aos olhos: a disparidade salarial entre atletas homens e mulheres.

Um exemplo emblemático é o da espanhola Aitana Bonmatí, meia do Barcelona e vencedora do prêmio Bola de Ouro e FIFA The Best em 2023. Considerada a melhor jogadora do mundo na atualidade, ela renovou contrato com o clube até 2028, com salário de 1 milhão de euros por ano. É, sem dúvida, uma quantia respeitável, mas que perde qualquer grandeza quando comparada ao que recebem jogadores de nível apenas mediano no futebol masculino.

Para efeito de comparação, basta citar Gabriel Barbosa, o Gabigol. Reserva do Cruzeiro e em baixa na carreira, o atacante recebe cerca de 2,4 milhões de reais por mês. Convertendo o valor, isso equivale a aproximadamente 440 mil euros mensais, ou seja, mais de 5 milhões de euros por ano. Em outras palavras, um atleta sem protagonismo, que sequer figura entre os principais atacantes do Brasil, fatura cinco vezes mais do que a jogadora considerada a melhor do planeta.

O contraste fica ainda mais nítido quando lembramos da trajetória de Marta. A brasileira, seis vezes eleita a melhor do mundo, um nome que já se confunde com a própria história do futebol feminino, segue defendendo o Orlando Pride, nos Estados Unidos. Seu salário anual é de cerca de 400 mil euros, menos da metade do que recebe Bonmatí e uma fração ínfima dos ganhos de qualquer atacante reserva de um grande clube brasileiro.

A disparidade não se justifica pela falta de público ou de interesse. Jogos decisivos da Liga dos Campeões Feminina já registraram mais de 90 mil torcedores no Camp Nou. A final da Copa do Mundo Feminina de 2023 bateu recordes de audiência em diversos países, incluindo o Brasil.

Enquanto o futebol masculino construiu uma bolha financeira que paga salários astronômicos a jogadores medianos, o futebol feminino ainda luta para alcançar reconhecimento compatível com sua relevância. E, se a luta por igualdade de gênero nos campos passa também pelo bolso, é evidente que há um longo caminho a ser percorrido.

O caso de Bonmatí mostra que avanços já foram feitos, mas também escancara os limites dessa valorização. Quando a melhor do mundo recebe dez vezes menos do que um reserva brasileiro, a pergunta que fica é: até quando as mulheres que encantam multidões dentro de campo continuarão sendo recompensadas de forma tão desigual?

screenshot
A coluna Futebol Etc na edição impressa do Jornal de Brasília desta 2ª feira (8/9)

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado