A seleção brasileira está nos EUA para disputar a Copa do Mundo e os jogadores estão obrigados a seguir um manual de conduta que estabelece regras para uso de celulares, convivência, visitas de familiares e comportamento durante a competição. Os parentes dos jogadores não ficarão hospedados no mesmo hotel da delegação, o acesso ao grupo será restrito e toda a estrutura foi pensada para manter o foco exclusivamente no futebol.
A medida faz sentido. Afinal, a história recente da seleção registra Copas do Mundo em que a concentração parecia mais um resort de férias do que um ambiente de trabalho. Em alguns momentos, familiares, amigos, assessores e convidados circulavam com tanta liberdade que a privacidade dos atletas desaparecia e a concentração ficava em segundo plano.
Agora, a CBF aposta em uma operação quase militar. Além das regras de convivência, os jogadores serão monitorados por sensores, scanners e equipamentos de alta tecnologia. Haverá acompanhamento físico permanente, alimentação controlada por chef especializado e até o uso de calçados desenvolvidos com conceitos da neurociência para melhorar a percepção corporal dos atletas.
Tudo isso pode ajudar. E provavelmente ajuda.
Mas, pensando bem, existe um manual de conduta muito mais importante do que qualquer cartilha distribuída pela CBF. E esse manual é técnico.
A seleção brasileira – que neste sábado fará o último amistoso contra o Egito – disputará, no máximo, oito partidas até a final do torneio. São apenas oito jogos capazes de encerrar uma espera que já dura 24 anos. Desde o pentacampeonato conquistado em 2002, o Brasil acumula eliminações, frustrações e promessas não cumpridas.
Por isso, o principal compromisso dos jogadores não é reduzir o tempo nas redes sociais, evitar selfies ou obedecer protocolos internos. O principal compromisso é entrar em campo, jogar bem e vencer.
Nem é necessário dar espetáculo. Nem apresentar o futebol mágico das gerações de Pelé, Garrincha, Zico ou Ronaldo. Nesta altura, o torcedor brasileiro aceitaria algo muito mais simples: eficiência.
Ganhar de Marrocos na estreia. Ganhar nas oitavas. Ganhar nas quartas. Ganhar na semifinal. Ganhar a final.
Se isso acontecer, ninguém se lembrará quantos minutos cada atleta passou no Instagram, quantos familiares receberam ingressos ou quantos sensores foram utilizados durante a preparação.
Porque o único manual que realmente ficará para a história é aquele que sempre definiu o destino das seleções campeãs: organização, disciplina, futebol e vitórias.
Todo o resto é acessório