Tem sabotagem que vem do adversário. Tem sabotagem que nasce dentro de casa. E agora, ao que tudo indica, tem sabotagem que vem… da própria camisa.
Passa-se quatro anos esperando uma Copa do Mundo. Quatro anos. É tempo suficiente para rever jogos antigos, sofrer de novo, discutir escalações imaginárias e até perdoar aquele 7 a 1 – ou quase. Aí chega o grande momento… e a Nike decide entrar em campo antes da bola rolar. E faz isso como? Errando.
Não é um erro só. É um combo. Um pacote promocional de equívocos criativos.
Primeiro veio o tal do “vai, brasa”. Uma expressão que, segundo a explicação oficial, todo brasileiro fala naturalmente. Curioso. Deve ser aquele tipo de expressão que só existe nas reuniões de marketing, entre um power point e um café importado. Porque nas ruas, nos bares e nos estádios, o brasileiro sempre foi mais direto: é Brasil, é seleção, é grito no gogó – nunca foi “brasa”.
Mas tudo bem. A gente respirou fundo, tentou entender, fez piada e seguiu o jogo. Afinal, Copa é emoção, é superação. Inclusive emocional.
Só que aí veio a costura. A própria Nike admitiu que há um “pequeno problema” nos uniformes, visível na região do ombro. Pequeno problema. Uma expressão elegante para dizer: erramos onde não dava pra errar. Porque camisa de seleção não é qualquer peça de roupa. É símbolo. É história. É quase uma entidade nacional – e, agora, aparentemente, também um teste de controle de qualidade.
O mais impressionante é imaginar o processo. Alguém apresentou o projeto. Alguém aprovou o “vai, brasa”. Alguém viu a costura. E, em algum momento, uma sala inteira de profissionais deve ter concordado: é isso, pode produzir.
Dá a sensação de que houve uma reunião com pauta simples e objetiva: vamos inovar. E inovaram tanto que esqueceram do básico – aquilo que não aparece no briefing, mas aparece no ombro do jogador.
E aí surge a dúvida inevitável: se erraram no slogan e na costura, será que o tecido também não resolveu jogar contra? Porque, do jeito que vai, a camisa corre o risco de fazer mais barulho fora de campo do que dentro.
Enfim, agora a gente só torce para que isso não vire presságio. Porque o torcedor brasileiro já aprendeu a lidar com muita coisa: técnico questionado, convocação polêmica, VAR criativo… mas camisa sabotando a própria Seleção já seria inovação demais.
Que fique na estética. Que pare no ombro. E que, dentro de campo, o Brasil jogue como sempre jogou quando foi campeão: com identidade, com talento e, principalmente, sem precisar explicar o que significa ser Brasil.
Porque isso, ao contrário do “vai, brasa”, todo mundo entende.