O núcleo político mais ligado ao governador Ibaneis Rocha (foto) considerou decisiva a vitória obtida na Câmara Legislativa com a aprovação do projeto que garante a capitalização do Banco de Brasília (BRB). Na sua avaliação, a vitória teve duas frentes.
A primeira, econômica, retirou o peso representado por um rombo que poderia causar problemas administrativos até mesmo no curto prazo. O alívio assegurado pela decisão foi sentido imediatamente na liberação de recursos.
A maior vitória, porém, foi política, com Ibaneis mostrando força e garantindo o controle das forças políticas necessárias não apenas para apoiar os meses finais do governo, mas também para reforçar sua candidatura às eleições deste ano.
Também se saiu bem o presidente do BRB, Nelson de Souza, que enfrentou um calvário de quase 13 horas com os distritais. Os oposicionistas e a turma que fingia estar no muro o pressionavam sobre números, insistindo em que o rombo do Banco de Brasília poderia ser até bem superior aos R$ 6 bilhões admitidos e que os bens oferecidos pelo Buriti para reforçar o caixa estariam longe desse valor.
A guerra dos números deu em nada. O que valeu mesmo foi a negociação política.
Diário Oficial com edição bem nutrida
Foi especialmente nutrida a edição desta quarta-feira do Diário Oficial do Distrito Federal. Parte das liberações de recursos se dá por atos administrativos, não necessariamente publicados em suas páginas, mas as admissões, demissões e criação de cargos estão todas lá, tornando sua leitura obrigatória para toda a Câmara Legislativa e todos os partidos políticos brasilienses.
O próprio Ibaneis usou o X, antigo Twitter, para antecipar a notícia principal. Anuncia pessoalmente novas nomeações para reforçar a saúde pública do Distrito Federal.
Serão 150 enfermeiros, 850 técnicos de enfermagem, 45 agentes de vigilância ambiental em saúde, 45 agentes comunitários de saúde, 24 auditores de vigilância sanitária e 40 cirurgiões-dentistas.
“São”, explica o governador, “profissionais que chegam para reforçar o atendimento na ponta, para garantir mais cuidado para quem procura o sistema público de saúde no Distrito Federal”.
Ao assinar a nomeação, Ibaneis comentou que “esse é o meu compromisso: fortalecer a saúde pública e ampliar o atendimento para a população do DF”.
A seu lado estava o distrital Jorge Vianna, dirigente de sindicato representativo de uma série de categorias da área de saúde. Vianna pertence ao PSD, partido que abriga o ex-governador José Roberto Arruda, em colisão com o governador.
Além disso, Vianna foi um dos deputados que acenou com a possibilidade de votar contra o projeto de socorro ao BRB, mas terminou ficando pela sua aprovação. Outros distritais que aparentemente hesitavam, mas ficaram com o governo, também gostaram da edição do Diário Oficial, casos de Daniel Donizet e Roosevelt Vilela.
O MDB em geral manteve-se unido em torno de Ibaneis durante o tempo todo, caso de Donizet.
Exonerações
Já os distritais que faziam parte da base governista, mas se opuseram ao projeto do BRB, não gostaram nada das informações dessa edição do Diário Oficial, que trouxe exonerações de indicados para a máquina pública do GDF.
Estão na lista, em especial, Thiago Manzoni, Rogério Morro da Cruz e João Cardoso, aquele que se apresenta como “professor-auditor”.
Ligadíssimo a Bia Kicis, que se apresenta como rival de Ibaneis na corrida para o Senado, Thiago Manzoni foi o primeiro distrital do PL a se rebelar, embora apontasse a ruptura com o Buriti como decisão pessoal.
Com ele não houve negociação. Já os demais integrantes do PL, casos de Roosevelt Vilela e Joaquim Roriz Neto, até ensaiaram rebeldia, mas ficaram nisso. Votaram, disciplinados, com o governo.
Mesmo os rebeldes tentavam, diante da edição do Diário Oficial, mostrar que não haviam colocado fogo nas pontes com o Buriti. Os mapas das demissões tornavam claros os interesses.
Houve muitas substituições, por exemplo, na Administração Regional de Sobradinho, onde foi bem votado o distrital Cardoso. Ou em São Sebastião, núcleo de Rogério Morro da Cruz.
Mas os gestos dos próprios distritais mostravam que eles ainda fazem acenos ao Buriti. Morro da Cruz, por exemplo, não votou com o governo, mas disse ontem mesmo que não se considerava fora da base.
Na verdade, foi um dos três votos considerados rebeldes, mas também foi um dos que garantiram, no Colégio de Líderes, que o projeto entrasse imediatamente na pauta, como queria o governo.
Placar previsível
Desde o começo do jogo, todos sabiam quem estava para valer na oposição. Era o caso dos dois distritais do PSOL, Fábio Félix e Max Maciel; de Dayse Amarílio, do PSB; dos petistas Chico Vigilante, Gabriel Magno e Ricardo Vale; da neotucana Paula Belmonte; e agora do bolsonarista Thiago Manzoni, do PL de Bia Kicis.
Esse era o placar dado como absolutamente certo, com oito votos contra o governo.
Mas os acenos de rebeldia criaram até a ilusão de que a oposição poderia acrescentar mais votos resistentes, a que se somariam ao menos duas ausências.
Isso poderia, sonhavam, dar 11 ou até 12 votos pela oposição, dando com as ausências um placar de 12 votos contra 10 governistas. E duas cadeiras vazias.
Mas, justiça seja feita, só os opositores sonhadores demais acreditavam nisso. O placar de 14 votos a 10 foi até superior ao que se imaginava.
Peças-chave
Pesou ainda nesse jogo o papel de figuras de peso que mantiveram o apoio ao Buriti. Todo o MDB, com Iolando Almeida, Jaqueline Silva, João Hermeto, Daniel Donizet e Wellington Luiz, fechou com Ibaneis.
Assim como Doutora Jane Klebia e Moniz Machado, dos Republicanos, Robério Negreiros e Jorge Vianna, do PSD, Eduardo Pedrosa, do União Brasil.
Daniel de Castro e Pedro Paulo, o Pepa, do PP, mais Roriz Neto e Roosevelt, do PL.

Mas a importância maior, claro, é sempre do presidente Wellington Luiz (foto). Embora mantivesse a dignidade durante toda a tramitação do projeto, sempre deixou claro que tinha uma posição firme.
Depois da votação, mandou engavetar mais um projeto de impeachment apresentado contra Ibaneis.