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Do Alto da Torre
Do Alto da Torre

Vorcaro tenta negociar delação premiada

Pelo pouco que se sabe, há poucas chances de que essas condições sejam aceitas pela Procuradoria-Geral da República.

Eduardo Brito

26/01/2026 18h01

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Vorcaro crédito INSTAGRAM

Embora em sigilo de Justiça, já estão desenhadas condições para o ex-banqueiro Daniel Vorcaro (foto) fazer delação premiada.

Pelo pouco que se sabe, há poucas chances de que essas condições sejam aceitas pela Procuradoria-Geral da República.

De um lado, Vorcaro pleiteia imunidade penal total, ou seja, não cumpriria qualquer pena restritiva de liberdade. Quer ainda que dois parentes seus sejam incluídos na eventual proteção.

A negociação é bastante complexa, pois começou a ser conduzida por dois advogados que, embora altamente especializados em delações premiadas, não faziam parte de sua equipe original.

Mas a dificuldade maior, reconhecidamente, está no envolvimento de autoridades do Legislativo e, em especial, do Judiciário.

Ao menos cinco ministros ou ex-ministros do Supremo Tribunal Federal correriam risco de ser citados.

Em três casos, dos ministros Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e um terceiro, as citações se limitariam à participação em seminários pretensamente jurídicos com despesas pagas, inclusive de transporte aéreo.

O problema maior estaria em questões envolvendo os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.

Não se tem ideia de como esses pontos poderiam vir a ser tratados em uma delação premiada, inclusive pelo ineditismo.

Três antigos dirigentes de bancos de Vorcaro estão sendo ouvidos nesta segunda-feira, 26, por policiais federais designados por Dias Toffoli, em depoimentos que ocorrem no próprio Supremo Tribunal Federal, o que é, digamos, pouco usual.

Senado cobra ação decisiva

Dois senadores brasilienses, Damares Alves e Izalci Lucas, uniram-se a um senador amazonense, Plínio Valério, e a um cearense, Eduardo Girão, para exigirem, nesta segunda-feira, 26, uma investigação mais rigorosa dos escândalos envolvendo o Banco Master e suas supostas ligações com figuras do alto escalão do Supremo Tribunal Federal (STF) e da política, ainda que se trate de pessoas do mesmo lado político.

plínio valério
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Para Plínio Valério, “se vivêssemos em um país mais ou menos sério, Toffoli já se teria declarado impedido”.

Mas, completa, por mais supremos que sejam os ministros, eles não estão acima da lei. E o Senado precisa se erguer e exercer o poder que tem, enquadrando esses ministros.

Já para Izalci, “a direita não tem bandidos de estimação. Nós concordamos plenamente que haja investigação. E aqueles que erraram, se houve erro por parte de alguém da direita, que paguem pelo erro. Nós não vamos passar a mão na cabeça de ninguém, como a base do governo faz”, acuou Izalci.

Enquanto defende a investigação de todos, Izalci criticou a resistência da base governista em avançar com convocações na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, onde nomes de familiares do presidente Lula foram citados em supostas irregularidades.

Entre eles, o filho Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e o irmão, Frei Chico, que de frei não tem nada.

“Queremos convocar o Lulinha. Não é possível que ninguém vote a favor da convocação, sendo que já há provas suficientes da mensalidade de R$ 300 mil”, ponderou o senador.

“E tem o irmão do Lula, que sequer poderia ter assinado um convênio com o INSS. São questões que precisam ser apuradas”, ressaltou.

Sobre o Banco Master, Izalci destacou que o caso já causa perplexidade pela gravidade das denúncias envolvendo ministros do STF, como Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.

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