O lançamento da candidatura ao Buriti do ex-interventor Ricardo Cappelli (foto), no último fim de semana, é o primeiro passo formal para a composição de uma chapa de centro-esquerda no Distrito Federal, tendo como polo o PSB.
A definição é de um dos estrategistas do partido, o ex-secretário Valdir Oliveira, que participa das negociações desde o início.
A proposta inicial era reunir todas as correntes vistas como progressistas, da esquerda petista ao chamado centro democrático.
A insistência do PT em manter a cabeça de chapa e o surgimento de candidaturas competitivas da centro-direita impediram o avanço desse modelo.
As negociações entre PSB e PT perderam força, mas o partido afirma que avançou nas conversas com outras legendas de centro.
A expectativa é de uma composição com o PSDB da distrital Paula Belmonte, o Solidariedade do ex-senador José Antonio Reguffe e o PDT, em negociação com o presidente nacional da legenda, Carlos Lupi.
Vagas majoritárias preenchidas aos poucos
No lançamento da pré-candidatura de Cappelli, o PSB optou por deixar em aberto as demais vagas majoritárias para facilitar futuras composições.
As chapas para deputado federal e distrital já estão desenhadas, enquanto permanecem vagas os cargos de vice-governador e de dois candidatos ao Senado.
Entre os nomes cogitados estão José Antonio Reguffe e Paula Belmonte.
As negociações com o PDT também podem levar a senadora Leila Barros para a composição, inclusive com possibilidade de apoio simultâneo da chapa de Cappelli e da candidatura petista de Leandro Grass.
Críticas se concentram na saúde
O evento reuniu lideranças do PSB e aliados em potencial.
Cristovam Buarque confirmou que disputará uma vaga na Câmara dos Deputados, enquanto Reguffe participou da cerimônia, mas sem confirmar candidatura.
Durante o discurso, Cappelli fez críticas aos governos de Celina Leão e Ibaneis Rocha, concentrando os ataques na área da saúde, especialmente nas filas para cirurgias.
De olho nos números dos eleitores
Caso a frente ampla progressista não se concretize, o grupo de Cappelli deverá disputar as eleições em uma chapa de centro-esquerda, enquanto a federação PT-PV-PCdoB seguirá com Leandro Grass ao Buriti, Érika Kokay ao Senado e Leila Barros na disputa pela reeleição.
As vagas de vice e de suplentes ao Senado poderão ficar com o PSOL.
Os articuladores da candidatura avaliam que o principal desafio será ampliar o desempenho eleitoral da esquerda no Distrito Federal.
Eles lembram que, após o auge registrado em 2010, quando Agnelo Queiroz quase venceu no primeiro turno, as candidaturas petistas perderam força.
Também citam que, em 2022, Leandro Grass chegou a 26% dos votos e ficou próximo de levar a disputa para o segundo turno, reforçando a avaliação de que coligações mais amplas podem aumentar a competitividade do campo progressista.