Nada menos do que 35% dos moradores da capital fizeram apostas nos últimos doze meses. Deles, a grande maioria — 61,9% — são homens.
A maioria ainda prefere as loterias, mas recorre também a bingos, jogo do bicho, bets, jogos de cassino e, principalmente, a caça-níqueis, como o tristemente famoso jogo do tigrinho.
A loteria é a preferida de 45,9% dos apostadores, mas a verdade é que quase todos eles, 38,1%, não se restringiram à loteria, mas a combinaram com duas ou mais modalidades.
Ou seja, o brasiliense está jogando cada vez mais.
Quase todos, 85,5%, jogam para ver se faturam um dinheirinho a mais. No entanto, 11,1% apostam por prazer ou diversão, enquanto 7,3% apostam para socializar com parentes e amigos.
Até aí, tudo soa bem. Mas a verdade é que os jogos estão se transformando em um problema.
Quase um terço dos apostadores, 30,9%, apostou com o objetivo de recuperar dinheiro perdido com as próprias apostas. E proporção muito semelhante, 28,1%, gastou em apostas mais tempo do que pretendia.
Adoecimento emocional

Enfim, tudo isso está se transformando em vício: nada menos do que 26% dos apostadores já tentaram parar ou reduzir as apostas que fizeram.
Todos esses dados, que acabam de ser divulgados, constam de pesquisa sobre o impacto dos jogos de azar na população do Distrito Federal, conduzida pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal, o IPEDF, em conjunto com a Secretaria de Estado da Família.
O secretário da Família, Rodrigo Delmasso (foto), resume as constatações: “os jogos de azar, especialmente no ambiente digital, deixaram de ser apenas uma prática recreativa e passaram a gerar impactos reais na vida das famílias, como endividamento, conflitos familiares e adoecimento emocional”.