O reequilíbrio do jogo de forças políticas na sucessão do Distrito Federal começa a afetar a composição política da Câmara Legislativa. Antes voto certo a favor do Buriti, o distrital Thiago Manzoni, do PL, começa a assumir posições independentes – e bem na hora em que se discute a questão estratégica do Banco de Brasília, o BRB.
Manzoni (foto) é ligadíssimo à deputada federal Bia Kicis, que se colocou como candidata ao Senado, enfrentando justamente o governador Ibaneis Rocha. Manzoni deve ser candidato à vaga a ser aberta por Bia Kicis. Seu voto pode ser imprescindível ao Buriti.
Afinal, dos 24 deputados distritais, seis são de partidos de esquerda – três do PT, dois do PSOL e uma do PSB. Embora ao menos dois deles mantenham diálogo com o governo, em questões polarizadas, como a do BRB, tendem a votar contra.
Também está na oposição a distrital Paula Belmonte, hoje no PSDB. Caso o voto de Manzoni se some a eles, chega-se a oito, o correspondente a um terço da Câmara, o que confere algumas prerrogativas regimentais à oposição, embora ainda longe da maioria absoluta.
Mais rebeldes
Na verdade, as bases do governo dão crescentes sinais de rebeldia. Até Jorge Vianna, que raramente se opõe ao governo, mostrou resistência aos projetos relativos ao BRB.
No PL, só Manzoni marcou posição independente. Mas Roosevelt Vilela e Joaquim Roriz Neto nem apareceram na Câmara Legislativa, embora componham com a maioria.
Decisão fica para a semana que vem
Diante da necessidade de pacificação, o jeito foi adiar as discussões. O presidente do BRB deverá comparecer à Câmara às 9h da segunda-feira. Terá reuniões com o presidente Wellington Luiz e, depois, com todos os deputados. Só então haverá votação.
Mudança nas lideranças
O bloco PSOL/PSB e a bancada do PT na Câmara Legislativa alteraram suas respectivas lideranças. A distrital Dayse Amarílio (PSB) foi designada pelos pares como nova líder, e o distrital Max Maciel (PSOL) como vice-líder do bloco PSOL/PSB.
Já o PT escolheu o distrital Chico Vigilante como líder e o distrital Ricardo Vale como vice-líder da bancada. A indicação da nova liderança também definiu os petistas Gabriel Magno e Ricardo Vale, respectivamente, como líder e vice-líder da Minoria.
De acordo com o Regimento Interno da CLDF, líder é o deputado distrital escolhido por seus pares para falar em nome da bancada de seu partido ou bloco parlamentar.