Embora o peso parlamentar do Cidadania no Congresso seja pequeno, com apenas sete deputados federais e nenhum senador, seu peso simbólico permanece, como herdeiro de um século de tradições do Partido Comunista. Por isso mesmo, sua herança é disputada, inclusive na sucessão presidencial.
E o herdeiro será resolvido esta semana, quando os dois blocos rivais em que o partido se dividiu realizam convenções para discutir o futuro. O seu presidente histórico, Roberto Freire, recuperou, no final do ano passado, o controle do partido, mas pretende entregá-lo nesta quarta-feira, 4 de março, a um sucessor já escolhido, o deputado Alex Manente (foto).
No dia 7, o grupo rival, dirigido pelo ex-presidente Comte Bittencourt e com a presença brasiliense do ex-senador Cristovam Buarque, fará também uma convenção. Mas todos sabem que a palavra final sobre o controle da legenda será dada pelo Judiciário.
E mesmo os partidários de Comte admitem que, diante das decisões já tomadas, o mais provável é que o grupo de Freire e Manente fique com o controle. Isso terá uma importância radical para o futuro do partido.
A ala esquerda, de Comte e Cristovam, gostaria de criar uma federação com o PSB, o que significaria provável apoio à reeleição de Lula. Já Manente iria para o outro lado, acreditando-se na possibilidade de aliança com o Republicanos, o que transferiria o partido para maior proximidade com a esfera da direita.
Chega a hora de definir as chapas
Todo esse jogo deverá se refletir na formação das chapas. Estava tudo pronto para, no caso da aliança com o PSB, o Cidadania fazer uma chapa comum para a Câmara, que poderia reunir, entre outros, dois ex-governadores, Cristovam Buarque e Rodrigo Rollemberg.
Caso o Cidadania vá para outro lado, o mínimo que poderá haver é uma mudança de filiações. O próprio Cristovam acha impossível uma candidatura sua, caso a legenda siga a direção oposta, que ele chama de “aliança do bispo com o ateu”, referindo-se ao peso do bispo Edir Macedo, da Igreja Universal nos Republicanos, e ao histórico ateu dos comunistas de Roberto Freire.
Aproximação com o PSB

Com ou sem o Cidadania e as eventuais mudanças de filiação, o PSB brasiliense tende a fortalecer uma candidatura própria ao governo do Distrito Federal. O diretor brasiliense do Sebrae, Valdir Oliveira, reuniu em um jantar o virtual candidato Ricardo Cappelli, alto integrante do governo Lula e interventor na segurança de Brasília durante os eventos de 8 de janeiro de 2023.
Estavam lá (foto) o vice-presidente Geraldo Alckmin, que deu aval à candidatura, mais Cristovam Buarque, Rodrigo Rollemberg, o presidente regional Rodrigo Dias, o nacional Paulo Pereira, a distrital Dayse Amarílio e uma profusão de candidatos na chapa.
Todos eles ficam com Cappelli e acreditam que ele será mais viável que um nome do PT. Cristovam faz até um juízo crítico a respeito da autoconfiança petista, que vale inclusive para a candidatura presidencial de Lula: “a arrogância cega mais que o glaucoma”, diz.