Já pode ser traduzida em números a constatação feita pelo secretário de Economia, Valdivino de Oliveira, de que Brasília virou uma “máquina desgovernada”.
Quem fez as contas foi Valdir Oliveira, ex-secretário de Desenvolvimento Econômico do Distrito Federal, em estudos técnicos que apontam um rombo que pode chegar a R$ 7,7 bilhões em 2026.
Existe um patamar ainda mais preocupante: se houver frustração de receita, esse número pode ultrapassar R$ 9 bilhões.
O peso maior estaria no crescimento acelerado das despesas, nos restos a pagar e nas chamadas Despesas de Exercícios Anteriores, conhecidas pela sigla DEA.
Os números que mais preocupam Valdir Oliveira são justamente esses, os das despesas empenhadas e não pagas.
O DEA projetado para 2026 está estimado em R$ 1,6 bilhão, enquanto os Restos a Pagar Não Processados saíram de cerca de R$ 1 bilhão em 2022 para R$ 1,7 bilhão em 2025.
A avaliação dele é de que pode ter havido uma sensação artificial de equilíbrio fiscal.
O problema é que a fatura agora começa a vencer.
Responsável pela escolha de Valdivino, a governadora Celina Leão está fazendo cortes no orçamento.
Inverteu assim a tendência do governo brasiliense de ampliar a estrutura administrativa, com a criação de administrações regionais e uma secretaria.
Para Valdir, o governo já opera “no limite”, com uma dinâmica que pode mascarar a real situação das contas públicas.
O diagnóstico é um recado: sem ajuste e corte de gastos, o próximo governo enfrentará uma forte restrição financeira.