Por mais difícil que seja acertar previsões para o resultado de eleições proporcionais, os partidos fazem seus cálculos. Sabem que, ao contrário das majoritárias, as pesquisas pouco significam, pois, para seguir critérios técnicos eficazes, teriam de fazer um número tão grande de entrevistas que se tornariam inviáveis do ponto de vista econômico.
Para fazer as avaliações, os partidos recorrem às suas bases — as verdadeiras, ou seja, os cabos eleitorais a eles vinculados. Com base nisso, e também em performances de eleições anteriores, fazem projeções que ao menos evitam grandes sustos. Para deputados federais, é possível fazer cálculos que fornecem algumas indicações básicas.
No caso do Distrito Federal, pelas estimativas citadas, o Republicanos trabalharia com a possibilidade de conquistar de uma a três cadeiras, com duas como uma das hipóteses consideradas. O PL também aparece nas projeções internas com possibilidade de uma a três vagas, embora haja integrantes da legenda que falem até em quatro. A avaliação é de que o partido conta com mais nomes capazes de surpreender.
Vem a seguir o MDB, também com projeções entre uma e três cadeiras, sendo duas uma das possibilidades aventadas. O PSOL está em situação especial. Pode ter Fábio Félix (foto) entre seus candidatos de maior votação, mas existe o risco de a legenda não atingir o quociente eleitoral. Caso supere essa barreira, a votação de Félix poderia ajudar outro integrante da chapa.
Esquerdas cheias de incógnitas
Sem o desempenho sólido e previsível de Érika Kokay, a federação PT-PV-PCdoB enfrenta mais incertezas. Nas projeções internas, pode conquistar mais de uma cadeira, mas também há o risco de terminar com apenas uma ou enfrentar dificuldades para atingir o quociente eleitoral.
A situação é parecida com a do PSB, que enfrenta uma dificuldade especial: o número pequeno de nomes já testados. As contas feitas dentro da legenda variam entre conseguir representação na Câmara e até a possibilidade de não atingir o quociente. O PSD tem apenas dois nomes considerados competitivos, o que também complica suas projeções.
O mesmo acontece com a coalizão PP-União Brasil, que soma apenas nove candidatos, poucos deles já testados nas urnas. O Podemos já trabalhou com expectativas maiores de representação, até por incluir uma ex-primeira-dama, mas superar o quociente aparece agora como um dos principais desafios.
O mesmo vale para a federação PSDB-Cidadania, que conta com um candidato de renome nacional e peso federal, o ex-senador Roberto Freire (foto). Na capital, porém, suas bases são apontadas como uma incógnita para alcançar o quociente.
De qualquer forma, tem muito de bola de cristal em todos esses cálculos. Podem dar pistas, até consideradas internamente mais úteis do que as pesquisas proporcionais, mas a resposta só virá mesmo das urnas.