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Do Alto da Torre
Do Alto da Torre

Para turbinar CPIs e impeachment

A proposta cria prazos para evitar que pedidos fiquem parados por decisão exclusiva da Presidência do Senado.

Eduardo Brito

02/06/2026 18h29

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Izalci Lucas crédito Waldemir Barreto/Agência Senado

Diante da paralisia das comissões parlamentares de inquérito e do arquivamento sistemático de pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal, o senador brasiliense Izalci Lucas, do PL, formalizou nesta terça-feira, 2, um projeto de lei que altera o Regimento Interno do Senado.

Izalci argumenta que, quando uma CPI deixa de ser instalada, não é o Congresso que perde, é o cidadão que perde a oportunidade de ver esclarecidos fatos que envolvem dinheiro público.

Vem daí a ideia do projeto, que, se aprovado, criaria regras claras para prazos envolvendo as CPIs e as denúncias por crime de responsabilidade contra os ministros do Supremo Tribunal Federal.

A ideia de Izalci é que, quando houver omissão e descumprimento dos prazos, sejam acionados automaticamente mecanismos para que outras autoridades possam agir, permitindo o andamento da criação da comissão ou a apuração dos crimes de responsabilidade.

Prazos para tudo

“Com esse projeto de lei, se hoje não há prazo para nada, agora o Presidente do Senado terá cinco dias úteis para analisar o pedido, verificar se cumpre os requisitos necessários, colocar para leitura na sessão seguinte e instalar a Comissão em até dez dias úteis, para leitura do requerimento”, antecipou Izalci (foto).

Hoje, o presidente do Senado tem poder quase integral sobre a agenda.

A ideia é oferecer alternativas para impedir que isso aconteça.

Se, após cinco dias do pedido, não houver manifestação do presidente do Senado, o pedido passa automaticamente pela fase de admissão formal.

Aí, o vice-presidente do Senado Federal terá três dias úteis para tomar as providências.

Se ele também não agir, qualquer integrante da Mesa Diretora pode pedir a votação, que será decidida pela maioria absoluta da Mesa.

Também haveria prazos envolvendo as denúncias por crime de responsabilidade contra ministros do Supremo Tribunal Federal.

Se o projeto passar, o presidente do Senado teria 15 dias úteis para analisar, elaborar um despacho e encaminhar para a Mesa Diretora.

Assim, o presidente não teria mais poder, sozinho, de decidir arquivar o processo.

Esgotado o prazo, qualquer membro da Mesa Diretora poderia colocar o assunto em pauta e, após 30 dias úteis de omissão, a própria Mesa poderia deliberar.

A aprovação do projeto, hoje, seria altamente improvável.

Mas a ideia pode até sobreviver.

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