A oposição esperava muito do depoimento do presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.
Na sala de reuniões da CAE estavam os três senadores brasilienses, dois deles oposicionistas, além de deputados federais e até candidatos ao Buriti, como Leandro Grass, da federação PT-PV-PCdoB.
A expectativa era de que surgissem medidas do rombo causado pelos negócios feitos com o Banco Master, de Daniel Vorcaro, além de nomes de responsáveis ou beneficiários da operação.
Mas não foi bem assim.
Desde o início, houve uma mudança de foco, e o debate foi parar nas disputas políticas de Alagoas, estado do presidente da comissão, Renan Calheiros.
Depois, os parlamentares ouviram de Nelson de Souza que o BRB precisa de R$ 8,8 bilhões para fazer frente a “possíveis perdas” decorrentes de negócios feitos com o Master, em uma operação de “capitalização” já aceita pelo Supremo Tribunal Federal.
Renan cobrou informações sobre a escolha do ex-presidente Paulo Henrique Costa, mas ele mesmo afirmou que, ao montar sua administração, o então governador eleito Ibaneis Rocha tinha outro nome para presidir o BRB.
Segundo Renan, “nomes relevantes do Centrão” procuraram Ibaneis para defender Paulo Henrique, enfim escolhido.
A senadora Leila Barros cobrou mais nomes.
“Até agora, só Paulo Henrique foi preso”, reclamou.
Nelson Souza não tinha mais nomes a entregar, mostrando que assumiu depois do estrago.
A também senadora Damares Alves quis saber “quem foi laranja nessa história”, mas aproveitou para pedir ao presidente que faça o possível para resolver o problema.
“Cuide da minha governadora”, apelou, “para que Celina possa deixar essa história e lidar com o povo, pois isso é o que ela sabe fazer”.
Atenção se volta para Alagoas (foto)
Essa mudança de foco foi conduzida pelo próprio Renan, que, ao abrir o depoimento de Nelson Souza, disse que o escândalo do Master estava na origem de desvios de recursos públicos, como consignados e aposentadorias da prefeitura de Maceió.
Na primeira fila da comissão estava a senadora Doutora Eudócia, mãe do então prefeito e, como ele, rival política de Renan.
A senadora reagiu de imediato e disse que Renan sabia muito bem que o caso Master começava com outro banco, o BMG, que fizera manobras semelhantes, com envolvimento de Renan.
A partir daí, o caldo engrossou.
Eudócia chegou a afirmar que “eu não ensinei meu filho a roubar, como Renan fez com os seus”.
O senador, claro, reagiu.
Prometeu identificar e apontar os ladrões de aposentadorias de Maceió.
Demorou para que o Banco de Brasília retornasse à pauta.
Números da encrenca brasiliense
Os recursos envolvidos na operação de salvamento do BRB funcionarão como uma reserva necessária para preservar o fôlego financeiro da instituição, abalado pelo déficit admitido pelo presidente Nelson Souza, evitando a quebra do banco.
Souza confirmou que uma auditoria interna descobriu que, dos R$ 30 bilhões em títulos comprados do Master, R$ 8,8 bilhões podem estar perdidos.
Desse total, pelo menos R$ 2,6 bilhões não têm lastro, ou seja, não há nenhuma garantia real de que o BRB seja reembolsado.