Até a tarde desta quarta-feira, 23, o clima no Itamaraty era de satisfação pelo desempenho do presidente Lula nas Nações Unidas. Seu discurso foi considerado pelos diplomatas na medida certa para as tensões do momento, pois deu recados precisos sobre a soberania brasileira, com a frase feliz de que o País é grande demais para estar no quintal de alguém, mas sem adotar postura agressiva que criasse mais constrangimento com Donald Trump.
Mas o clima se deteriorou com a informação de que o secretário de Estado Marco Rubio acabava de assumir de forma definitiva o papel de conselheiro de Segurança Nacional do presidente Trump. Rubio é a segunda pessoa na história a acumular essa função com a Secretaria de Estado. O outro foi o lendário Henry Kissinger.
O acúmulo de poder nas mãos de Rubio não é animador para a diplomacia brasileira, pois se pensa por aqui que o secretário não apenas comanda a linha dura de Trump para com a influência da direita latino-americana, como é o principal responsável por abrir as portas da Casa Branca para a família Bolsonaro e seus aliados.
Pior: atribui-se a Rubio a menção a “dissidentes” em minuta dirigida ao governo brasileiro e rejeitada por Lula.