Alta da alimentação pesa mais sobre famílias de baixa renda e amplia preocupação política em ano eleitoral.O problema não é apenas a alta da inflação, mas o fato de a alimentação estar puxando o aumento de preços.
O IPCA de maio mostrou crescimento mais acelerado em Brasília, com alta de 0,63%, acima do índice nacional, de 0,58%.
No acumulado do ano, o Distrito Federal chegou a 2,52%, enquanto o Brasil acumula 3,2%.
Em 12 meses, a inflação nacional alcançou 4,72%, com viés de alta.
O teto da meta para 2026 é de 4,5%, mas as projeções já indicam avanço para 5,3%.
O ponto mais sensível está na comida. A inflação da alimentação acumula alta de 4,8%, acima da média geral, enquanto a alimentação no domicílio chegou a 7,5%.
Esse é justamente o índice que mais pesa sobre a população de baixa renda e, por isso, tem impacto direto no endividamento das famílias.
Problema ganha dimensão política com a taxa de juros
Em ano eleitoral, a alta dos alimentos também ganha dimensão política.
Pesquisas já indicam que o binômio alta de preços e endividamento começa a ocupar o topo das preocupações dos eleitores, ultrapassando até a segurança pública.
O Planalto acompanha esse movimento com atenção, ainda mais na semana em que o Banco Central reúne o Copom para definir a taxa básica de juros.
A Selic vinha caindo, de 15% no início do ano para 14,75% e depois para os atuais 14,5%.
Havia expectativa de nova redução neste mês, com possibilidade de a taxa chegar perto de 13% até o fim do ano.
A pressão dos preços, porém, ameaça esse caminho.
Indicado por Lula, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, costuma ser cobrado pelo governo a reduzir juros, mas tem adotado decisões técnicas.
Sob esse ponto de vista, o risco de aceleração da inflação recomenda cautela. Em ano eleitoral, isso significa problema maior para o governo.