Ao confirmar o apoio à governadora Celina Leão no segundo turno, o ex-candidato do Partido Novo justificou a decisão utilizando a expressão “coincidência ideológica”. Kiko Caputo disse ainda que seu partido pode até indicar cargos para o futuro governo, caso Celina confirme a vitória, mas que isso não explica essa aliança. Segundo ele, pesou a constatação, na conversa a dois (foto) que tiveram nesta quarta-feira, 7, de que compartilham a maior parte das ideias que defendiam desde o início da campanha.
Isso não explica, claro, a aliança tácita que o próprio Kiko manteve, nos debates, com os demais candidatos de oposição. Só para lembrar, Kiko, Leandro Grass, Paula Belmonte, José Roberto Arruda e Ricardo Cappelli nunca se criticaram entre si, e o alvo comum foi Celina. A governadora e sua equipe, claro, registraram muito bem essa postura, apelidada à época de “cinco contra uma”.
Kiko Caputo deu, porém, uma dica para escapar da saia justa ao dizer que o propósito comum era “resgatar o Distrito Federal” e adotar o que considerava uma “postura diferente do governo anterior”. Passou, a partir daí, a elogiar programas de Celina, em especial na área de saúde.
Celina endossou essa posição ao confirmar que sempre estiveram do mesmo “lado ideológico” e que ela própria, como o Partido Novo, “nunca esteve na esquerda”. Afinal, afirmou, “nunca incentivamos a luta de classes, mas a distribuição de renda justa e o crescimento dos trabalhadores”.
A partir daí, Celina afirmou que o PT fez “o pior governo da história do Distrito Federal” e que está “na contramão das tendências do País”. De quebra, mencionou que, “caso o PT governasse a capital em um momento em que os demais governos, inclusive o federal, estão em outro rumo, todos os quadros do partido viriam se instalar” na administração brasiliense.
Essa tônica se manifesta agora em toda a agenda da governadora e, da mesma forma, na ação nacional dos demais partidos. A campanha brasiliense tende cada vez mais a se nacionalizar.
Cleitinho dá a medida das alianças
Confirmando a nacionalização da campanha, ficou definida, na tarde de quarta-feira, a vinda a Brasília do governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho, assim como do campeão de votos para deputado, Nikolas Ferreira, para participar da campanha ao lado da governadora Celina Leão.
Nikolas sequer sabia o nome do candidato petista no segundo turno, Leandro Grass, mas se prontificou a trazer apoio à capital. Esse quadro tende a se reforçar com o término das eleições em vários dos principais colégios eleitorais do País, não só em Minas, mas também em São Paulo e nos estados do Sul e do Centro-Oeste.
Da mesma forma, todo o Centrão, inclusive os 12 partidos que apoiaram Celina desde o início, formalizou na manhã de ontem apoio a Flávio Bolsonaro e unificou o palanque. Estava lá toda a cúpula do PP-União Brasil, além de caciques do Republicanos e do PSD.
Só que a coligação formal tem menos peso, ao menos no Distrito Federal, do que a “coincidência ideológica” mencionada por Kiko Caputo. A distrital Paula Belmonte, por exemplo, evitou tomar posição formal e avisou que não vota em Celina, mas seu partido, o PSDB, declarou-se neutro.
Isso não impede que os eleitores que votaram em Paula façam sua própria opção, assim como os eleitores potenciais do ex-governador José Roberto Arruda. Arruda também disse que não vota em Celina, mas, como ela própria registrou nesta quarta-feira, todos os seus partidários ostensivos já estão em seu palanque.