Foi por pouco, muito pouco, que a candidata Mariana Naime não foi eleita deputada federal. Desconhecida na política, teve 67 mil votos, acima dos eleitos Reginaldo Veras e Agnelo Queiroz. Perdeu apenas no quociente eleitoral.
Mariana é mulher do coronel Jorge Eduardo Naime (foto), ex-chefe de operações da Polícia Militar do Distrito Federal. Naime foi preso por determinação do Supremo Tribunal Federal após os atos de 8 de janeiro, sob acusação de golpe. A performance mostra a força política da Polícia Militar do DF.
Equilíbrio mantido na Câmara Legislativa
Embora sete novos distritais cheguem à Câmara Legislativa, o perfil partidário e ideológico muda pouco por lá. A oposição de esquerda, formada por PT, PSOL e PSB, chega a sete cadeiras, ante seis anteriormente, mas normalmente já recebia o acréscimo de Paula Belmonte, do PSDB, que disputou o governo.
A base governista se mantém potencialmente com 17 distritais, apenas com alguns ajustes. O PL vai de quatro para cinco e o Republicanos, de duas para três cadeiras, crescendo às custas do MDB, que cai de cinco para três.
O PP ganha uma cadeira, que era de Jorge Viana, do desconhecido Democrata, e passa a três, com a volta de Rôney Nemer. União Brasil, Podemos e PSD permanecem com uma cadeira cada. Se Celina Leão se garantir no Buriti, será improvável qualquer mudança maior.
Bancada do PT amplia votação em 54% na CLDF
Se a urna de 2026 serviu como termômetro de liderança para a oposição brasiliense, a bancada do PT na CLDF tem motivos de sobra para comemorar. Mesmo sem aumento numérico — eram três e permanecem três —, Chico Vigilante, Gabriel Magno e Ricardo Vale ampliaram sua votação em expressivos 54,13%, pulando de quase 79 mil para mais de 121,7 mil votos somados.

O motor da guinada foi Gabriel Magno (foto). Com um salto significativo de 134,29% — de 18 mil para mais de 42,3 mil sufrágios —, ele não apenas mais que dobrou seu eleitorado, como passou a concentrar 35% de toda a votação petista no parlamento local.
Ao mesmo tempo, Ricardo Vale encorpou seu mandato com alta de 72,09%, chegando a 29,3 mil votos, enquanto o decano Chico Vigilante superou os 50 mil (+14,12%), mantendo seu teto histórico blindado.
O efeito prático vai além da matemática eleitoral: mexe no xadrez de poder do PT distrital. A expressiva votação de Magno dá musculatura imediata à sua corrente interna, abre espaço para novos nomes e coloca a renovação geracional da legenda no centro do debate petista para a próxima legislatura.
A volta por cima de Agnelo
Se as urnas de 2026 mantiveram a bancada do PT-DF como estava, a eleição de Agnelo Queiroz para a Câmara dos Deputados carrega contornos de reabilitação. Ex-governador do Distrito Federal, Agnelo garantiu sua vaga com 43.542 votos e superou um dos cenários mais adversos da corrida eleitoral.
Durante a campanha, o desgaste de sua gestão no Buriti foi lembrado pelos adversários. De quebra, Agnelo enfrentou desvantagem estrutural dentro da própria legenda e entrou na disputa contando com volume menor de recursos do fundo partidário do que nomes como Ruth Venceremos e Rosilene Corrêa.
Mas Agnelo superou o fogo cruzado e a assimetria financeira, voltando ao Congresso Nacional.