Eleito no congresso partidário de 4 de março, o deputado federal Alex Manente já havia assumido a presidência do Cidadania. Sua missão, segundo ele próprio, seria colocar ordem na legenda.
No entanto, sua eleição foi contestada pela ala do partido que, historicamente, se opõe ao deputado Roberto Freire, antecessor de Manente e controlador do partido desde os tempos em que era ainda Partido Comunista Brasileiro.
Assumiu o partido, indicando como presidente outro antigo militante, Comte Bittencourt. Em Brasília, o mais conhecido representante dessa ala é o senador Cristovam Buarque.
No ano passado, porém, iniciou-se uma batalha judicial, que devolveu o controle a Freire, que reassumiu a presidência e passou-a depois a Manente, seu aliado. Mais uma vez, os opositores recorreram à Justiça.
Por essas e outras, o Cidadania estava formalmente acéfalo. Era o único partido, da lista de 30 com registro oficial no Tribunal Superior Eleitoral, a não ter um presidente designado.
Até esta quinta-feira, 26 de março. Em decisão publicada pela manhã, o desembargador José Firmo Reis Soub colocou um ponto final na briga.
Constatou que o mandato dos membros do Diretório Nacional e, por consequência, da Comissão Executiva Nacional, encerrou-se em 13 de março. Com a suspensão das deliberações do Congresso pelo Judiciário, o partido Cidadania encontrava-se “sem Presidente Nacional, sem Diretório Nacional e sem Comissão Executiva com mandato vigente o que sequer permitia assegurar a governança do partido durante a pendência do litígio”.
Essa ausência de direção partidária, em ano de eleições, disse o desembargador, reveste-se de gravidade superior e de difícil reparação pelo simples transcurso do tempo.
Diante disso, cancelou as decisões anteriores e reconheceu a eleição de Manente. Por enquanto, a ala de Roberto Freire controla o Cidadania. Mas, claro, os rivais vão recorrer.