Ainda no capítulo do ninguém é bobo, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa conseguiu furar o bloqueio imposto pelo ministro Dias Toffoli à divulgação dos dados relativos às tramas do Banco Master.
Apesar da marcação cerrada empreendida por Toffoli aos depoimentos prestados sob seu controle, Paulo Henrique emplacou a narrativa de que o Master manipulou as costuras feitas com o BRB.
Nessa versão, houve dois momentos muito diversos durante as negociações. Paulo Henrique afirmou que só identificou um “padrão diferente” nas carteiras do Master após diversas transações já realizadas, em diversas carteiras.
“Nós começamos a comprar carteiras de crédito do Banco Master em julho de 2024. Compramos durante o ano de 2024 inteiro”, disse.
Até aí estava tudo certo, e o ex-presidente do BRB assegura que “essas carteiras tinham um desempenho adequado, não existia nenhuma suspeita sobre o padrão documental delas e seguimos comprando em 2025. Somente no final de abril de 2025 é que nós começamos a ver um padrão documental diferente”.
Essas declarações foram registradas, apesar das armações de Toffoli, pela delegada da Polícia Federal Janaína Palazzo, em oitiva no STF, justamente as oitivas que o ministro tentava controlar.
Isso aparentemente coincidiu com a entrada dos papéis da Tirreno, uma aparente invenção de Vorcaro para tirar o Master da encrenca.
Paulo Henrique assegurou que as anomalias foram constatadas pelo próprio Comitê de Auditoria do BRB e que, por uma “comunicação de boa-fé, o BRB informou ao Banco Central, no dia 25 de maio, que estava lidando com uma carteira com um padrão documental diferente”.
Foi durante essa revisão que o BRB diz ter descoberto que essas carteiras compradas do Banco Master eram de terceiros, desencadeando o projeto que culminou com a liquidação pelo Banco Central.
Trapalhão errou de CPI
Conhecido por atropelar debates, o deputado petista Rogério Correia está tentando incluir o escândalo do Master, imagine só, na CPMI que investiga o roubo de dinheiro dos velhinhos aposentados.
É mais ou menos como se quisesse marcar pênalti para o Botafogo no meio de um jogo entre Flamengo e Fluminense. Mas claro que não vai dar em nada.
Rogério Correia é conhecido por fazer muito barulho, mas ter representatividade zero.
Na última eleição para prefeito de Belo Horizonte, conseguiu impor sua candidatura ao PT, mas só amargou um sexto lugar, com 4% dos votos.
Com seu desempenho, não conseguiria eleger-se nem vereador.