Dois incidentes, ou quase-incidentes, demonstram uma escalada perigosa dos ânimos na campanha brasiliense. Na tarde desta quinta-feira, 15, o candidato oposicionista ao Buriti, Leandro Grass, registrou na 1ª DP uma queixa-crime por causa de um vídeo que, segundo ele, continha declarações falsas criadas por Inteligência Artificial.
A mensagem começava com imagens reais de Grass, mas depois apresentava manipulações sobre o que seriam propostas suas a respeito das escolas cívico-militares, da introdução de “kits-gay” nas redes de ensino e de referências a aliados do candidato. O Tribunal Regional Eleitoral já proibiu a divulgação desse material.
O incidente se seguiu a pedidos de investigação da campanha da rival Celina Leão sobre a responsabilidade por panfletos falsos que a associavam ao número 22 — confusão que já provocou a anulação de 20 mil votos destinados a ela no primeiro turno —, em função de vídeos que mostram três jovens que teriam participado da distribuição do material.
Na noite de quarta-feira, 14, já havia ocorrido uma situação de risco, quando Grass, portando um microfone (foto), percorreu a Rodoviária do Plano Piloto, com poucos assessores, cruzando uma manifestação de partidários de Celina. Foi intensamente vaiado, sob o coro de “Lula, ladrão, seu lugar é na prisão”.
Não houve nenhum atrito maior, mas a campanha de Grass reclamou da agressividade das vaias, enquanto os adversários acreditavam que o comportamento do candidato constituía, na verdade, uma provocação em busca de um conflito maior.
Com ou sem debate

Celina e Grass já protagonizaram um encontro pessoal com alfinetadas, quando se cruzaram em uma emissora brasiliense. Os dois se cumprimentaram amistosamente e até se abraçaram (foto).
Grass desafiou: “Celina, vamos para o debate, vamos debater, a população precisa”. A governadora concordou, mas revidou: “Se você me deixar falar…”.
Grass mostrou espanto, e ela completou: “…pois da última vez você me interrompeu três vezes”. Celina seguiu seu rumo, e Grass avisou: “vou te esperar”.