Ao assumir o Buriti, a governadora Celina Leão não apenas trocou todo tipo de afagos com o antecessor Ibaneis Rocha como se empenhou em mostrar que investe na continuidade. A maior prova é a manutenção de praticamente todos os titulares de cargos do governo anterior, inclusive na assessoria direta.
Agora, porém, Celina mostra que está mais do que nunca disposta a deixar marca própria. A primeira mudança de equipe foi cirúrgica. A governadora evidenciou que tomará conta do cofre, e a prova disso foi colocar na Secretaria de Fazenda um expert nas finanças brasilienses, Valdivino Oliveira (foto), que volta ao cargo ocupado durante a maior parte dos governos de Joaquim Roriz.
Valdivino é também um conhecimento antigo da Celina — é bom não esquecer que ela entrou na política eleitoral após anos no entorno rorizista. A substituição mostra que a nova governadora não abre mão de controlar as finanças do Distrito Federal e, por outro lado, não representa um golpe político em Ibaneis.
Valdivino substituirá um técnico, Daniel Izaías de Carvalho, escolhido pelo antecessor, mas sem qualquer vínculo político com ele. O próprio Ibaneis havia afastado Ney Ferraz, este, sim, ligado diretamente a ele, para preferir a solução apolítica representada por Izaias.
Acenos a oposicionistas na Serrinha

Os três primeiros dias de governo serviram a Celina para mostrar também flexibilidade em decisões que, mesmo com pouco conteúdo político, vinham acendendo brasas em grupos potencialmente oposicionistas.
A mais significativa foi retirar o espaço conhecido como Serrinha da lista de concessões feitas ao BRB. Ninguém havia ainda demonstrado que nessa área estão mesmo as nascentes citadas por ambientalistas e moradores da sua ampla vizinhança, até porque sequer se conhecem os exatos limites da concessão dada — e agora retirada.
Celina constatou, porém, que não valia a pena comprar essa briga. O mesmo se deu com outras polêmicas, como as verbas da festa de aniversário, que passaram para a tão necessária contratação de médicos.
O esforço de Celina já trouxe os primeiros resultados. No rush de atividades dela pelo Riacho Fundo, neste 1º de abril (foto), reapareceram distritais que estavam distanciados do Buriti, como Joaquim Roriz Neto, ou rompidos de vez, como João Cardoso, ambos na foto.
Novas relações também com o Planalto
O novo perfil adotado por Celina se estende às relações com o Planalto. Diante das posições tomadas anteriormente e dos diálogos já feitos, imaginava-se que o Distrito Federal ficaria fora do acordo proposto pelo governo Lula às unidades da Federação sobre os esforços para enfrentar as pressões por aumentos do diesel.
A proposta federal já evoluíra, abandonando-se a ideia de redução da cobrança de impostos sobre o produto, um subsídio direto, passando agora para uma subvenção ao diesel importado.
Ao menos 20 estados haviam chegado a um acordo com o Planalto sobre isso, mas as sete unidades restantes da Federação mostravam alguma resistência. O Distrito Federal estava entre elas e, até o início da tarde deste 1º de abril, acreditava-se que a posição era definitiva.
No entanto, Celina decidiu aderir. Houve também uma mudança de posição quanto ao salvamento do Banco de Brasília, o BRB.
Sugeriu-se que se pedisse algum tipo de ação à Caixa Econômica Federal. Distritais petistas, como Chico Vigilante, defenderam com ênfase essa medida, mas o Buriti se recusou a tomar qualquer medida a respeito, até porque o presidente Lula já mostrara resistência.
Igualmente, nesta quarta-feira, a nova governadora admitiu negociar algum tipo de ajuda com o governo federal.