Desde 1990, quando começou sua existência constitucional, a Câmara Legislativa manteve a tendência de alinhamento político de sua presidência com o Palácio do Buriti. Embora atritos tenham ocorrido, não se tem registro de um presidente eleito sem a influência ou mesmo o aval do governador brasiliense. Governos de tendências diferentes se seguiram e o Buriti sempre foi ouvido na eleição do presidente. Isso vale até para governadores que, em tese, tinham base minoritária. Só em tese.
Tudo isso já está sendo levado em conta desde que se conheceram os 24 distritais eleitos este ano. Começou na hora a articulação para compor a nova Mesa. Claro, terá de esperar o segundo turno. Nem Celina Leão vai se arriscar a uma definição neste momento e muito menos Leandro Grass. Mas os deputados já estão em campanha.
Quem está na lista (foto)
Reeleito, o distrital Roosevelt Vilela nunca escondeu sua pretensão de concorrer à presidência. Seu partido, o PL, terá ainda a maior bancada, com cinco cadeiras, o que lhe fornece um elemento a mais para reivindicar o posto.
Dentro do próprio PL, porém, já se fala em uma alternativa. Seria o distrital Joaquim Roriz Neto, que ainda não assumiu a candidatura, mas teria um argumento adicional: o de ter recebido a maior votação da bancada.
Também não assume candidatura o distrital Eduardo Pedrosa (foto). Ele não pertence ao PL. É o único representante do União Brasil na Câmara. Mas foi o segundo mais votado e o primeiro da base do governo. Mais: Pedrosa tem conversado frequentemente com a governadora Celina Leão, inclusive depois do primeiro turno.
Já na bancada oposicionista, em caso de um governo petista, o franco favorito será o distrital Ricardo Vale, que chega à quarta legislatura e é hoje o vice-presidente da Câmara. De qualquer forma, tanto ele quanto Roosevelt são fortes candidatos a vagas na futura Mesa Diretora.
Mágica mais do que previsível
Em todo esse processo, uma nova cartada pode ser tentada, com fortes chances de êxito. A grande maioria da Câmara Legislativa — 17 distritais entre 24 — foi reeleita, contando, assim, com canais de comunicação fáceis e interesses comuns. Inclusive, já estão lá dentro, acertando-se entre si.
Um dos temas que entraram imediatamente na agenda é uma reforma na Lei Orgânica do Distrito Federal, permitindo mais de uma recondução a cada cargo da Mesa Diretora. O atual presidente, Wellington Luiz, já ocupa o posto há duas legislaturas e, em tese, não poderia mais se reeleger. Conta, porém, com amplo apoio dos seus pares e soube conduzir a Câmara de forma pacífica, mesmo em períodos turbulentos.
De quebra, a revisão da Lei Orgânica agradaria também a outros membros da atual Mesa Diretora, de todos os partidos. De qualquer forma, qualquer solução deverá esperar a consumação do segundo turno.